O que é o Método Montessori?

Sempre que me perguntam, eu penso bem antes de responder. O método tem tantos detalhes, que fica difícil escolher os melhores pontos para ressaltar em apenas uma resposta. Para mim, que vivo isso diariamente, é tudo. É como se fosse um botão que a gente liga e nunca mais desliga, porque não faz mais sentido fazer as coisas de outra forma.

Refleti bem e acredito que, se for pra apresentar Montessori para alguém pela primeira vez, eu ressaltaria dois pontos.

O primeiro é o respeito pela criança. Maria Montessori, a criadora do método que leva seu nome, era médica. Ela baseou seu método através da observação científica das crianças. Ela tratou de conhecer como elas nascem, se desenvolvem, como aprendem e do que precisam. Conhecendo bem os pequenos fica mais fácil de respeitá-los.

Sabe-se que todos temos necessidades básicas como: alimentação, higiene pessoal, sono. Sendo assim, é uma forma de respeitar as necessidades das crianças darmos alimentos a elas, darmos banhos e criarmos rotinas de sono. A rotina é importante em todos os aspectos, porque traz segurança aos pequenos. Respeitá-los é criar e manter uma rotina. É avisá-los sobre como vai ser o dia para que eles não fiquem na ansiedade de nunca saber o que vai acontecer a seguir. E isso vale mesmo com os bebês. Essas criaturinhas maravilhosas começam a compreender o que falamos, muito antes de aprenderem a falar.

E aí a lista pode seguir com inúmeros itens e momentos nos quais podemos e devemos respeitar as crianças. Incluí-las nos planos de viagens, nos cuidados com a casa e consigo mesma, pedir por favor, dizer obrigada, dar autonomia condizente à faixa etária, organizar o quarto com móveis de acordo com o tamanho da criança, permitir que ela explore o mundo de maneira segura, respeitar o seu tempo de aprendizado…

Com as crianças maiores, o respeito aparece quando levamos suas vontades em consideração. Podemos perguntar por que não querem fazer determinada coisa ou ir em determinado lugar. Podemos dar duas ou três opções de solução e deixar que escolham. Tomar decisões é uma parte muito importante da vida. Saber verbalizar suas vontades e pontos de vista também.

Uma criança acolhida, vista e ouvida, sabe que é amada e por consequência é segura para se desenvolver da melhor maneira possível.

O segundo ponto é o adulto como modelo. Pode parecer tão óbvio, mas na correria do dia a dia podemos esquecer que nossas atitudes falam mais que palavras. Se queremos que nossos filhos digam “por favor”, devemos fazê-lo, sempre e em todas as frases. O mesmo vale para “obrigado” e “com licença”. As crianças aprendem mais pelo nosso exemplo do que pelas nossas palavras. Mais ainda se as crianças em questão ainda não apreenderam a sua língua materna.

Cito aqui a abertura de um livro que adoro, que ilustra bem a força do nosso exemplo:

“Se as crianças vivem ouvindo críticas, aprendem a condenar.

Se convivem com a hostilidade, aprendem a brigar.

Se as crianças vivem com medo, aprendem a ser medrosas.

Se as crianças convivem com a pena, aprendem a ter pena de si mesmas.

Se vivem sendo ridicularizadas, aprendem a ser tímidas.

Se convivem com a inveja, aprendem a invejar.

Se vivem com vergonha, aprendem a sentir culpa.

Se vivem sendo incentivadas, aprendem a ter confiança em si mesmas.

Se as crianças vivenciam a tolerância, aprendem a ser pacientes.

Se vivenciam os elogios, aprendem a apreciar.

Se vivenciam a aceitação, aprendem a amar.

Se vivenciam a aprovação, aprendem a gostar de si mesmas.

Se vivenciam o reconhecimento, aprendem que é bom ter um objetivo.

Se as crianças vivem partilhando, aprendem o que é generosidade.

Se convivem com a sinceridade, aprendem a veracidade.

Se convivem com a equidade, aprendem o que é justiça.

Se convivem com a bondade e a consideração, aprendem o que é respeito.

Se as crianças vivem com segurança, aprendem a ter confiança em si mesmas e naqueles que as cercam.

Se as crianças convivem com a afabilidade e a amizade, aprendem que o mundo é um bom lugar para se viver.”

“As crianças aprendem o que vivenciam – Dorothy Law Note”

Acredito que a maneira de ver as crianças, um dos inúmeros pontos de Montessori, é o que me faz nunca mais querer vê-las de outra forma. Respeitando-as e dando exemplo, criamos adultos que serão felizes, realizados e cidadãos pacíficos. Serão pais e mães que brincarão com seus filhos, que demonstrarão amor e que participarão da criação de um bom mundo para se viver.

Esses dois pontos são possíveis de adotar em casa, em família e na vida. Mas, como disse, Montessori é muito mais que isso. Dentro da escola, por exemplo, temos os materiais adaptados, os professores preparados, o ambiente preparado…

Respeitar a criança não é exclusividade de Maria Montessori, claro. Nem os cuidados com o exemplo dos adultos. Mas vai dizer que a maneira como ela as vê não faz sentido?

Autora: Taís Lima, empreendedora e educadora Montessori com foco em 0 a 3 anos.