Transtorno bipolar: A difícil tarefa de viver entre a euforia e a depressão

Mais do que oscilações de comportamento, o sofrimento de quem convive com o Transtorno Afetivo Bipolar

Oscilação entre euforia e depressão

Uma vida marcada por altos e baixos. Essa é a realidade de quem convive com o transtorno afetivo bipolar. Alterações de humor e grande dificuldade em se perceber e conseguir entender a própria instabilidade.

Uma vez uma paciente me descreveu o transtorno bipolar da seguinte maneira:

 

“É como uma borboleta, quando estou na fase eufórica me sinto bela, com asas coloridas, cheias de brilho e vida. Posso voar para longe, posso ir aonde quiser; sem limites, riscos ou preocupações. Mas quando estou na fase depressiva, sinto como se essa borboleta tivesse uma bola de ferro amarrada em seus pés. Essa bola me impede de me movimentar, de fazer, de viver. Tudo parece difícil e a vontade de tentar e reagir é muito baixa”.

Conhecer é o caminho para tratar e conviver

Deixe de lado posicionamentos como: “É só uma birra”, “isso é coisa de pessoa mimada, deixa ela para lá que logo passa”, “ele é de lua mesmo, logo tudo se ajeita”. Crenças como estas apenas vão prejudicar seu entendimento sobre o transtorno bipolar e seus portadores. Todos temos variações de humor, mas no transtorno bipolar a euforia e a depressão são mais extremadas e as alterações de humor mais bruscas.

Oscilação entre euforia e depressão

Vale lembrar que cada pessoa é diferente e, portanto, a duração dos episódios e os principais sintomas variam a cada uma.

Para o próprio bipolar é difícil se entender e conviver bem consigo mesmo e com seus pensamentos. Obviamente isso se reflete no convívio social e familiar. Os sintomas impactam no comportamento, ocasionando uma série de desentendimentos e conflitos. Isso é ainda mais evidente quando a família entende o quadro clínico como um apanhado de birras e crises de mimo. Para conviver melhor, a família pode buscar apoio dos terapeutas, entendendo como lidar com a mudança de humor e os sintomas.

 

Tratamento

O tratamento do transtorno bipolar consiste em acompanhamento psiquiátrico e psicológico. A Psiquiatria vai entrar com medicação para amenizar sintomas e estabilizar o quadro. Já a Psicologia vai ajudar a entender os desencadeadores de crise, formas de lidar com elas, trabalhar autopercepção e melhoria da qualidade de vida.

Tratamentos longos são comuns e, mesmo com o tratamento, as crises podem ocorrer, mas é possível que tenham menor intensidade. Interrupções no tratamento e tentativas de suicídio também podem acontecer e para resgatar é importante o apoio da família e da equipe de terapeutas.

O transtorno bipolar não é um quadro de simples diagnóstico e tratamento, envolve uma série de etapas e acompanhamentos. Para que o portador do transtorno mantenha o tratamento e consiga bons resultados, é importante uma equipe preparada e o apoio da família e dos amigos. Caso perceba que alguém próximo possa sofrer de transtorno bipolar, ajude-o encaminhando para um especialista.

Para ilustrar, sugiro dois filmes que tratam sobre o assunto: “O lado bom da vida” e “Sentimentos que curam”.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475