Quando o ninho não esvazia

A realidade das famílias com filhos “eternamente dependentes”

Anos atrás as pessoas casavam mais jovens, e com o casamento vinha também uma independência emocional e financeira. Parece que a realidade hoje é outra e que os filhos estão saindo de casa cada vez mais tarde. Mas não é só isso, alguns ficam dependentes dos pais, emocionalmente e financeiramente, mesmo depois de casados, com famílias constituídas e morando em outras casas. Mas por que será que isso acontece?

Anos atrás participei de um curso e o palestrante fez a seguinte colocação: “Nós somos a geração asinha de frango”. Referindo-se ao fato de termos ficado com as “asinhas” para que nossos pais pudessem saborear as coxas e sobrecoxas do frango (éramos orientados a abrir mão das melhores partes), e que agora abrimos mão das coxas e sobrecoxas em detrimento dos nossos filhos (continuamos abrindo mão das melhores partes). Na observação dele, nossa forma de educar os filhos, sendo mais solícitos e permissivos mudou a forma como eles se colocam diante do mundo e das situações desafiadoras que encontram.

De uma forma geral acolhemos muitas situações e deixamos de orientar e seguirem seu próprio voo de forma independente. Uma geração acostumada a ter ajuda para pagar as contas, para ter as viagens de férias custeadas. Que dependem dos pais para definir uma mudança de emprego ou até mesmo participar intensamente da criação dos filhos. O comportamento deles não deixa de ser uma resposta ao comportamento dos pais que nas entrelinhas diz: “vai lá que eu assumo os riscos daquilo que você faz”.

Longe de querer julgar o certo e o errado, a reflexão que tento instigar aqui, é que muitos desses pais não querem mais ajudar, custear e dar suporte para esses filhos. Nos seus discursos nas sessões de terapia e com alguns seletos amigos eles assumem que não aguentam mais estarem presos aos filhos, não poderem curtir seus momentos ou sua aposentadoria, por terem filhos totalmente dependentes. Acredite, já presenciei até aposentadoria adiada para poder manter o padrão de vida que os filhos, já adultos, estão acostumados a ter.

A melhor opção é que a ajuda seja algo leve e agradável para ambas as partes. É importante considerar os limites financeiros e físicos para essa ajuda, se é possível para a vovó ficar diariamente com os netinhos sem sentir dores fortes pelo corpo, sem desgastar o humor e sem prejudicar seus planos pessoais. Entender se o valor financeiro pedido não compromete a realização dos projetos pessoais dos avós, ou ainda a necessidade de sustento e bem viver que eles têm.

Mesmo com as dificuldades enfrentadas, o que mantém a relação com esse nível de dependência, é que a maior parte dessas pessoas não se sentem confortáveis de terem uma conversa direta e franca com os filhos. Preocupados com o que vão pensar e como vão reagir, acabam assumindo a responsabilidade de manter essa relação mesmo com o desgaste. Sofrem calados e preocupados.

Para mudar o tipo de relação e passar para um nível de sinceridade e trocas positivas é necessário que os pais confiem na base de amor que ensinaram e deram para os filhos durante todos os anos. Através daí confiar e buscar um diálogo sincero e aberto, que permita o entendimento da situação sem gerar mágoas ou conflitos. E a pergunta que frequentemente me fazem: “e se eles não entenderem?”, eu digo: faça pelo bem, com muito amor e com foco  no que há de melhor em você e na relação que vocês têm e tudo acontecerá do melhor modo.

Complete sua leitura no texto sobre Comunicação Assertiva. Não considere suas dificuldades como imutáveis, é possível evoluir.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga – CRP: 08/09475

Comunicação Assertiva

 

 

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