Encare a volta às aulas com tranquilidade

As férias terminaram e chegou o momento de voltar às aulas. Período de adaptação das crianças, algumas crises de choro e dificuldades para permanecer na escola. Quanto menor a idade da criança, mais difícil pode ser a adaptação. Quem é mãe ou pai sabe como este momento pode ser doloroso para nós e para eles.

Algumas vezes os filhos tendem a corresponder aos sentimentos e preocupações dos pais. Ou seja, quanto mais fortalecidos estiverem os pais, mais fácil tende a ser a adaptação e a volta às aulas. A preparação dos pais é importante para que tudo corra bem. Mesmo sendo um momento delicado é possível tomar algumas atitudes que podem facilitar e deixar tudo mais leve e tranquilo.

Com os filhos:

  1. Imagina-se que você pesquisou muito antes de escolher a escola dos seus filhos e que confie no trabalho desta equipe. Estabelecer um bom laço de confiança com a escola te ajuda a ficar mais tranquila. E quando você consegue repassar isso para seu filho ele corresponde. Quando conversar com ele fale das coisas legais que elevai viver lá, das coisas que você admira na escola e de quão divertido isso tudo pode ser. Evite falar somente das regras e normas da escola, ele vai aprender cada uma delas ao seu tempo.
  2. A confiança vai ajudar a assumir as coisas com uma leveza e positivismo. Quando levamos as coisas pelo lado negativo elas tendem a dar errado. Mas quando assumimos uma postura positiva as coisas são mais agradáveis e leves. Ao chegar na escola com seu filho comemore, comente como você acha ótimo ele poder estar ali. Sorria e demonstre para ele a alegria que sente quando ele avança no seu desenvolvimento.
  3. Converse muito, esta talvez seja a melhor forma de resolver as situações. Antes das aulas iniciarem converse com seu filho sobre o novo ano letivo. Fantasiem como será, será que o amiguinho fulano vai continuar na escola? Qual será o nome da “profe” nova? E as aulas de artes e educação física? Quantas e quantas novidades ele vai experimentar e como será fantástico passar por tudo aquilo.
  4. Mesmo que a escola não tenha uma imensa lista de material, tem uniformes e outros artigos para organizar. Convide seu filho para participar dessa organização. O cheirinho de novo ou de limpo, escolher, organizar e imaginar como será legal estar lá. É um momento para descontrair, ensinar organização pessoal e autocuidado. Além de prepararem o material ainda aproveitam o tempo juntos e a agradável conversa que ele pode proporcionar.
  5. Aproveite para comentar com seu filho sobre como era na sua escola e do que você mais gostava. Como era arrumar tudo, encontrar os amiguinhos e as professoras. Quantas experiências você viveu. Comente como você espera que ele possa ser tão feliz na vida acadêmica dele como você foi um dia. Possivelmente ao saber da sua história ele vai perceber que esta fase é boa e que boas coisas virão dali. Caso sua experiência não tenha sido boa, não comente. Ele não precisa de mais “fantasmas” neste momento e a mentira nunca cai bem.
  6. Acredito que as férias tenham sido maravilhosas. Mesmo que não tenham feito nada de especial os bons momentos que passaram juntos já deixam marcas e boas lembranças e histórias para contar. Relembre os momentos das férias, mostre as fotos e conversem sobre tudo de bom que tiveram. E como ele pode compartilhar estas experiências com os amiguinhos e professoras. Isso vai fazer com que ele tenha algo interessante para fazer na escola. Forma um vínculo entre a casa e a escola, algo positivo que ele quer compartilhar.
  7. Ver os filhos crescendo é mesmo emocionante e em alguns momentos é difícil segurar as lágrimas, se você tem este perfil seja firme e tente deixar as lágrimas para quando estiver longe dele. Quando eles percebem o sofrimento nos pais sentem-se inseguros e isso faz com que tenham receio de ficar ali.
  8. Depois que o filho desce do seu colo, ou vai correndo para o encontro da professora e dos amiguinhos não é mais o momento de abraçar forte e dizer para ficar bem. Abane e jogue um beijo, diga como o ama e tente ser positiva e alegre. Isso vai mostrar que vocês dois estão bem e que esta fase será ótima. Quando a criança sai do colo e os pais chamam de volta ela tende a sentir-se insegura, muitas crises de choro começam justamente aí.
  9. Caso seja o primeiro contato da criança com a escola, a situação é diferente. O estranhamento do local, da forma de relacionar é normal. É tudo muito novo e é normal que ela estranhe e sinta-se insegura. Ainda mais em algumas idades que sabemos que a separação dos pais é algo que perturba muito. Se este é seu caso, além das dicas anteriores, vale uma dose extra de paciência e muito amor, seguidos da confiança e da alegria.
  10. Deixe claro para seu filho que no final do dia você estará de volta para busca-lo. Comente rapidamente o que ele fará na escola, Ex: você vai brincar, vai desenhar, lanchar, brincar mais um pouco e logo em seguida a mamãe estará de volta. Caso perceba que é necessário converse com a escola e permita que ele leve um objeto de casa que o ajude a sentir-se seguro.

Estas dicas são para ajudar no processo, em alguns casos mesmo colocando tudo isso em prática ainda podem acontecer dificuldades de adaptação. Coloque-se no lugar do seu filho e tente imaginar como ele se sente. Isso vai ajudar a conseguir dar suporte para ele neste momento. Lembre-se do seu primeiro dia no novo trabalho, com novos colegas e um novo ambiente. Parece assustador, não é mesmo? É assim que ele se sente. Cada um tem seu tempo, respeitar o tempo dele e o seu é importante para que ambos consigam se adaptar bem.

Sim, a adaptação não é só para os filhos, mas também para os pais. Sentimos falta, culpa por estar longe. Dúvidas se estamos tomando a melhor decisão e se estamos fazendo aquilo certo. Para te ajudar veja algumas dicas.

Para os pais:

  1. Eles passaram as férias todas coladinhos em você. E agora estar longe deles parece uma tarefa impossível. Relacione coisas que precisa fazer quando eles estiverem na escola. Imagino que não sejam poucas. Isso vai deixar você entretido durante este período sem ficar pensando no que ele está fazendo, se está bem ou não. Caso não consiga parar de pensar ligue para a escola para confirmar como ele está. Evite ir até a escola e principalmente até a sala dele, ele pode achar que já é hora de ir para casa.
  2. Deixe ele assumir a frente quando isso for importante para ele. Isso é muito comum com crianças maiores ou aquelas que são mais “independentes”. Se ele não quer sua ajuda para achar a sala de aula nova, ok. Deixe ele seguir em frente sozinho. Vai doer sim. Mas o orgulho de ver como ele enfrenta as coisas sozinho e com garra deve ser maior do que a dor de perceber que ele não precisa mais de ajuda para resolver tudo.
  3. Ele ficará bem. Ensine ele a procurar por você quando as coisas não ficarem bem, e a vir compartilhar contigo as coisas boas da vida dele. Em algumas situações, quando eles ficam na escola e não sentem a falta dos pais, na memória logo vem um pensamento: será que ele não sente minha falta? Ele sente sim, mas vai demonstrar isso em outros momentos. Neste momento está apenas demonstrando que você o ensinou a ser forte e determinado.

Segurança e confiança para ambos, por mais que o processo possa demorar ou parecer sofrido é uma etapa importante no desenvolvimento da criança. Ele vai aprender muitas coisas e se desenvolver ao lado dos seus amigos. Apoie essa nova fase com segurança e amor, ela é o começo de uma caminhada de sucesso para vocês dois.

Simone Steilein Nosima – Psicólga – CRP: 08/09475

Desfralde sem mistérios

Cada conquista dos pequenos é uma grande festa e cada fase de desenvolvimento deve ser tratada com sua real importância, reconhecimento e acima de tudo muito amor. Isso vai garantir que ele vivencie e aprenda de uma forma leve e sem traumas.

Para garantir que seu filho tenha um desenvolvimento tranquilo respeite o tempo dele, sem comparações ou cobranças e com muito respeito à sua individualidade. Perceba que os “manuais” de desenvolvimento infantil trazem sempre uma faixa de tempo e idade esperada para cada ciclo de desenvolvimento, essa faixa considera principalmente o desenvolvimento neurológico do bebê. Quando forçamos ele a realizar uma tarefa antecipadamente estamos desrespeitando a sua maturidade neurológica, e aí sim podem acontecer os traumas.

Quando falamos de DESFRALDE a idade mínima indicada é de dois anos. Ou seja, é comum apresentar sinais de desfralde a partir dos dois anos, podendo ser dos dois aos três ou quatro anos. Vai depender do desenvolvimento dele, da capacidade de perceber seu corpo e de controlar seu esfíncter. Portanto, se seu filho já completou 2 anos e ainda não apresenta os sinais de desfralde, não se preocupe, basta observar e respeitar o tempo dele que logo ele chegará lá. Caso ele apresente antes dos dois anos será muito bom, mas desde que isso venha espontaneamente dele.

Para ajudar as mamães a passarem por este momento com mais segurança, separei as perguntas mais frequentes e que podem ter mais impacto no desfralde:

Quando devo iniciar o desfralde?

A partir do momento que ele mostrar sinais de que já está preparado. Considere três passos aqui: No primeiro ele te avisa que ele já fez o xixi – demonstrando que já consegue associar a fralda cheia com o xixi. Na segunda fase ele sinaliza que está fazendo, ainda não teria tempo hábil para levar ele até o banheiro, mas já é possível para ele reconhecer o momento em que está fazendo xixi. No terceiro passo ele te avisa que quer fazer, ou seja, ele sentiu que a bexiga está cheia e que ele ainda tem tempo para segurar um pouco antes de ir ao banheiro. Seja ágil ao levar ele ao banheiro, o tempo de espera deles é pequeno no início do desfralde. O ideal é iniciar o desfralde na fase três ou na dois já bem amadurecida.

Outro sinal que ele dá, de maturidade neurológica, é conseguir pular com os dois pés de uma única vez. A relação está no controle e contração do esfíncter. E pode ser uma boa medida de observação para que você possa sentir segurança no momento de iniciar o desfralde.

Ele não quer sentar no penico ou no vaso, chora muito, o que faço?

Não force. Tudo que é novo realmente incomoda. Para que ele encare o penico ou redutor de vaso com mais tranquilidade deixe a mostra mesmo antes de iniciar o desfralde. Leve ele junto para escolher o que ele gosta mais, deixe ele sentar para avaliar se ele fica confortável. Antes do desfralde será um objeto presente e nada ameaçador, ele pode “brincar” de sentar mesmo com fralda. Escolher o melhor lugar do banheiro para deixar o vaso. Vai se familiarizar com o objeto de forma lenta e gradativa. Se ainda assim ele permanecer muito resistente avalie a troca do penico por redutor, ou vice-versa. Existem vários modelos disponíveis, deixe ele direcionar para qual ele se adapta mais. Usar de linguagem lúdica e momentos descontraídos para levar ele ao banheiro também vai ajudar muito.

 

Já estou alguns dias insistindo e vejo pouca evolução, o que posso fazer?

Fique calma que o processo vai acontecer no tempo dele. Se você prestou atenção aos sinais e já percebeu que ele está pronto para o desfralde, pode ter certeza que quando menos perceber ele já estará usando o penico em todas as vezes. Não existe muito ou pouco tempo, tudo dependerá do tempo de resposta dele. Mas tenha certeza que sua presença e afeto podem ajudar nesta fase. Portanto quando a coisa não sair como espera mantenha a calma e o equilíbrio, ele precisa sentir que você o apoia incondicionalmente.

Tentei fazer o desfralde mas não tive sucesso, como posso fazer para recuar e tentar em outro momento?

Algumas vezes erramos mesmo, isso é normal na maternidade então não se culpe e siga em frente. Recue apenas se for por falta de maturidade dele, e não de falta de paciência sua, perceba que são coisas muito diferentes. Caso tenha que voltar atrás fale com ele e explique o motivo, tenha certeza de que ele entendeu e concorda com sua decisão. No momento em que for retomar o processo explique para ele como agora será mais fácil, pois ele já consegue perceber coisas que ele não conseguia antes, e que você estará sempre ao lado dele para tudo, que vão passar por isso juntos e com muito amor e carinho.

Existe mesmo uma melhor fase (período do ano) para o desfralde?

Para quem vive em região de clima frio sim. No inverno a sensação de bexiga cheia e vontade de fazer xixi mudam e isso pode atrapalhar a percepção dele sobre o controle do próprio corpo. O trabalho tende a ficar mais demorado e pode acontecer um número maior de escapes. Isso sem contar no número de calças e meia calças que eles usam no inverno. Você precisará de um número bem maior de peças de roupas para fazer o desfralde do que se fizer no verão.

O que posso fazer para incentivar ele durante o processo?

Toda criança gosta de sentir que é aceita e amada pelos pais, que está fazendo tudo certo e de ser reconhecida por isso. Nesta fase não é diferente, então o estimulo e o reforço positivo vão ajudar muito. Comemore cada acerto e dê menos atenção para os momentos de erro, sempre incentive ele a continuar tentando. Incentivos concretos como ganhar adesivo quando fizer no penico ajuda muito. Você pode colar uma folha de papel sulfite no banheiro (para que ele não cole os adesivos diretamente no azulejo) e cada vez que ele acertar ele ganha um adesivo para colar na folha. Comemore com ele e mostre como ele tem se dedicado e conseguido acertar, conte o número de adesivos no dia, ele ficará feliz em ver o resultado do seu esforço. Alguns livros podem ajudar – busque por títulos como (Até as princesas fazem cocô – Sara Creese e Gabrielle Mercer / O que tem dentro da sua fralda – Guido Van Genechten / Cocô no trono – Charlat,Benoît) leia com ele e mostre como pode ser legal usar o penico.

Como reagir quando ele faz no chão?

Broncas não são bem-vindas nesse processo. Elas fazem com que ele sinta que não é capaz de corresponder ao que vocês esperam, reforçam o erro e deixam ele com a sensação de derrota. Quando ele tiver uma situação de escape trate com naturalidade e comente que isso pode mesmo acontecer, que na próxima vez que tiver vontade ele pode te avisar antes de fazer. Limpe, troque as roupas e não fale mais nisso, broncas sem fim são ainda mais difíceis de conseguir aceitar.

Como tratar isso com o restante da família?

Caso resolva fazer o desfralde na praia acompanhados de toda a família, tenha certeza de que os demais adultos vão conseguir respeitar seu método sem interferir na orientação dele. Se isso não for possível encontre um outro momento para iniciar o desfralde, e garanta que vocês possam ter privacidade o suficiente para que ele vivencie isso com muito amor por parte de todos que vão acompanhar ele nessa fase de mudança.

Algumas dicas que podem te ajudar:

  • Compre várias peças de roupa (calcinhas e cuequinhas) você não tem como saber o número de peças que ele vai usar durante um dia e é importante que você tenha como acompanhar o desfralde sem ter que se preocupar em lavar e secar várias peças durante o dia.
  • Tente conciliar o período de desfralde com as férias, assim você poderá se dedicar a isso sem ter que interromper o aprendizado dele para sair e se movimentar pela cidade ou em eventos. O número intenso de interrupções pode deixar ele confuso e ter mais dificuldade de entender a dinâmica de todo o processo.
  • Antecipe a vontade: leve ele ao banheiro antes dele pedir, pergunte se ele está com vontade, você pode fazer isso de uma forma leve e sem cobranças, pode dizer que vai ao banheiro para fazer outra coisa, convide ele para ir junto e quando estiverem lá pergunte se ele não quer aproveitar e fazer xixi.

Mesmo sendo uma fase de grande mudança ele vai conseguir passar por ela sem traumas, desde que todos os envolvidos respeitem seu tempo e aceitem as falhas que podem acontecer. Cada criança é única e vai vivenciar esta fase à sua maneira. Muito amor, carinho e doses extras de paciência para que vocês consigam aproveitar a alegria e as conquistas deste momento de tanta superação.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga – CRP: 08/09475

O Natal e o Luto

O natal é tempo de paz, alegria e união. Para todo lado que você olha a representação do natal está lá, em propagandas mostrando as famílias felizes, em ações voluntárias demonstrando a fé e o amor ao próximo, em confraternizações promovendo a união entre colegas e amigos. O tão famoso e comentado espírito natalino toma conta das conversas e das relações.

Porém, para algumas famílias o natal passa a ser a representação da dor e da angústia. Em meio a tantas comemorações a lembrança de quem partiu fica mais evidente, e o sofrimento pode ser inevitável. Como consequência pode vir o isolamento, a dificuldade para encarar os eventos sociais, crises de alterações bruscas de humor.

Para aqueles que convivem com uma pessoa enlutada o importante é ter empatia, entender e aceitar a dor do outro. Criar situações que façam ele se envolver em inúmeras atividades não libertará a memória das lembranças do que viveu, nem mesmo amenizará a dor da ausência. O que algumas pessoas enlutadas querem e precisam é de um momento de reflexão e isolamento. Perguntar o que a pessoa deseja como auxílio e a maneira como pretende vivenciar esse momento, sempre oferecendo a presença e o carinho.

Para a pessoa enlutada algumas percepções podem fazer diferença neste momento:

Respeite sua dor. O sofrimento da perda é real e em momentos como os eventos de final de ano realmente a memória fica mais nostálgica. Não se force uma felicidade fantasiosa para agradar os demais. Se necessário se retire por alguns instantes. Seja sincera com seus sentimentos, diga aos outros o que verdadeiramente está sentindo e solicite ajuda se necessário.

Você não é obrigado a comemorar nada. Mesmo que as pessoas próximas se reúnam se você não quiser comemorar está tudo bem. Reflita e defina sobre o que está disposto e avise os demais. Não se force além dos seus limites, mas entenda que ficar sozinho neste momento pode ser ainda mais doloroso, busque estar perto de quem ama e consegue entender e respeitar sua dor.

Você pode e voltará a ser feliz. A medida que for trabalhando e elaborando o luto ele passa a ter uma outra representação e um outro sentimento. A dor diminui e ficam as boas lembranças, os bons momentos repletos de carinho e amor. E quando você voltar a se sentir feliz no natal não se sinta culpado. O respeito por quem partiu não está marcado pela dor, mas sim pelas lembranças boas e pelo afeto que permanece.

Faça sua homenagem a quem partiu. Respeitando sua crença ou sua religião, considerando a forma como você e a pessoa viviam, tenha um momento para homenagear de uma maneira representativa e que possa acolher seu sentimento e acalentar sua dor. Realmente é muito triste não ter a pessoa perto fisicamente, uma homenagem vai te ajudar a manter as boas memórias, a proximidade emocional e o carinho.

O tempo não cura a dor, ele traz a possibilidade da pessoa se reequilibrar emocionalmente. Então a ideia de que com o passar do tempo o sofrimento será amenizado nem sempre é real. Algumas pessoas têm grande dificuldade em lidar com a perda e acabam sofrendo por longos anos. Cabe aqui um suporte de um profissional, mas é importante que os amigos e familiares estejam atentos ao sofrimento. Perceber e respeitar o que sente é fundamental para passar por esta fase tão dolorosa.

“Você marcou a minha vida, viveu morreu na minha história, chego a ter medo do futuro e da solidão que em minha porta bate” Musica: Gostava tanto de você.”

Caso a dor da perda envolva uma criança, leia o texto: “Como ajudar as crianças a passarem pelo luto”.

Como ajudar as crianças a passarem pelo luto

Simone Steilein Nosima – Psicóloga – CRP: 08/09475

Centro de mudança e responsabilidade

Já teve a sensação de que as coisas poderiam mudar se as outras pessoas fizessem algo acontecer? Ou já criou expectativas de mudanças com base em situações que não envolviam apenas as suas decisões? Então você precisa conhecer a teoria dos Círculos de Covey – abordado por Stephen Covey em seu livro – “Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes”.

Os círculos se apresentam na seguinte ordem:

1. Zona de Controle:

2. Zona de Influência:

3. Zona de Preocupação ou Zona de Não Controle e Não Influência:

O que acontece em cada círculo:

Zona de Controle:

Neste nível está tudo aquilo que depende de você. Se você não fizer, não vai acontecer e sua dedicação é que definirá a qualidade e o tempo que levará para conquistar seus objetivos. Quando você espera mudar alguma coisa em sua vida, deve assumir as responsabilidades e os riscos envolvidos nisso. Quando deposita suas expectativas em alguém que te ajude ou espera que alguma coisa aconteça para que você seja beneficiado, está na verdade deslocando sua ação da Zona de Controle para as demais zonas. As chances de realização diminuem consideravelmente, já que as decisões sobre sua vida deveriam estar no seu centro de decisões, ou seja, no círculo um. Exemplos de situações: Começar um curso, uma terapia, entrar em contato com alguém que te magoou, definir suas intenções de carreira e relacionamentos.

Zona de Influência:

A ação não depende de você, mas é possível influenciar, negociar e persuadir. Você não é responsável nem pela situação e nem pelo resultado, mas pode ser diretamente influenciado por eles, da mesma forma que pode tentar influenciar a decisão. Aprender a influenciar pessoas também é importante, ser empático e proativo faz diferença. Mas entenda que mesmo que você queira muito, algumas coisas não dependem, totalmente, de você. Desenvolva sua paciência e sua capacidade de lidar com a frustração. Algumas situações podem não desenrolar como você espera e você não terá muitas alternativas para corrigir, a não ser aprender a aceitar o que não pode mudar. Exemplos de situações: Buscar um aumento de salário, algumas definições de conflito, negociar dívidas.

Zona de Preocupação ou Zona de Não Controle e Não influência:

Aquilo tudo que independe de você. Você pode se esforçar muito e ainda assim não conseguirá afetar ou influenciar o resultado. Mas poderá ser afetado pelas decisões tomadas. Não é que o universo conspire nem a seu favor, nem contra você, é que existe momentos em que as circunstâncias acontecem sem que você possa opinar sobre elas. O que você pode fazer é trabalhar sua capacidade de lidar com imprevistos. Exemplos de situações: Demissão em massa, aumento de impostos, crises e definições políticas.

Quanto mais distante do centro dos Círculos de Covey estiver a situação em questão, menos poder de decisão você terá sobre ela, mesmo que seja diretamente afetado. O importante, portanto, é conseguir perceber o que é de responsabilidade sua ou dos outros e assumir com garra e dedicação tudo o que for seu. Para assim garantir as melhores alternativas e resultados. Percepção e proatividade são ferramentas básicas para ajudar a trazer cada vez mais para si as possibilidades de mudanças que deseja na sua vida.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga – CRP: 08/09475

Quando o ninho não esvazia

Anos atrás as pessoas casavam mais jovens, e com o casamento vinha também uma independência emocional e financeira. Parece que a realidade hoje é outra e que os filhos estão saindo de casa cada vez mais tarde. Mas não é só isso, alguns ficam dependentes dos pais, emocionalmente e financeiramente, mesmo depois de casados, com famílias constituídas e morando em outras casas. Mas por que será que isso acontece?

Anos atrás participei de um curso e o palestrante fez a seguinte colocação: “Nós somos a geração asinha de frango”. Referindo-se ao fato de termos ficado com as “asinhas” para que nossos pais pudessem saborear as coxas e sobrecoxas do frango (éramos orientados a abrir mão das melhores partes), e que agora abrimos mão das coxas e sobrecoxas em detrimento dos nossos filhos (continuamos abrindo mão das melhores partes). Na observação dele, nossa forma de educar os filhos, sendo mais solícitos e permissivos mudou a forma como eles se colocam diante do mundo e das situações desafiadoras que encontram.

De uma forma geral acolhemos muitas situações e deixamos de orientar e seguirem seu próprio voo de forma independente. Uma geração acostumada a ter ajuda para pagar as contas, para ter as viagens de férias custeadas. Que dependem dos pais para definir uma mudança de emprego ou até mesmo participar intensamente da criação dos filhos. O comportamento deles não deixa de ser uma resposta ao comportamento dos pais que nas entrelinhas diz: “vai lá que eu assumo os riscos daquilo que você faz”.

Longe de querer julgar o certo e o errado, a reflexão que tento instigar aqui, é que muitos desses pais não querem mais ajudar, custear e dar suporte para esses filhos. Nos seus discursos nas sessões de terapia e com alguns seletos amigos eles assumem que não aguentam mais estarem presos aos filhos, não poderem curtir seus momentos ou sua aposentadoria, por terem filhos totalmente dependentes. Acredite, já presenciei até aposentadoria adiada para poder manter o padrão de vida que os filhos, já adultos, estão acostumados a ter.

A melhor opção é que a ajuda seja algo leve e agradável para ambas as partes. É importante considerar os limites financeiros e físicos para essa ajuda, se é possível para a vovó ficar diariamente com os netinhos sem sentir dores fortes pelo corpo, sem desgastar o humor e sem prejudicar seus planos pessoais. Entender se o valor financeiro pedido não compromete a realização dos projetos pessoais dos avós, ou ainda a necessidade de sustento e bem viver que eles têm.

Mesmo com as dificuldades enfrentadas, o que mantém a relação com esse nível de dependência, é que a maior parte dessas pessoas não se sentem confortáveis de terem uma conversa direta e franca com os filhos. Preocupados com o que vão pensar e como vão reagir, acabam assumindo a responsabilidade de manter essa relação mesmo com o desgaste. Sofrem calados e preocupados.

Para mudar o tipo de relação e passar para um nível de sinceridade e trocas positivas é necessário que os pais confiem na base de amor que ensinaram e deram para os filhos durante todos os anos. Através daí confiar e buscar um diálogo sincero e aberto, que permita o entendimento da situação sem gerar mágoas ou conflitos. E a pergunta que frequentemente me fazem: “e se eles não entenderem?”, eu digo: faça pelo bem, com muito amor e com foco  no que há de melhor em você e na relação que vocês têm e tudo acontecerá do melhor modo.

Complete sua leitura no texto sobre Comunicação Assertiva. Não considere suas dificuldades como imutáveis, é possível evoluir.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga – CRP: 08/09475

Comunicação Assertiva

 

 

Como cativar a confiança dos adolescentes

A adolescência é um período do desenvolvimento, que vem acompanhado de uma série de dúvidas e incertezas. Marcada por transformações físicas e mudanças de comportamento. A fase, na verdade, é a saída da adolescência e a entrada na vida adulta. Muito temida pelos pais, este período é conhecido como a fase das revoltas, de grandes discussões e desentendimento entre as gerações.

As diferenças entre pais e filhos ficam mais evidentes neste momento. Ideias, percepções e intenções diferentes. O adolescente tentando encontrar seu espaço na vida adulta, os pais ainda preocupados com o discernimento que ele tem e a forma como pode lidar com todos os desafios que virão. Em busca de autonomia eles insistem, recusam normas e “batem de frente” com os adultos.

Dentre todas as dificuldades encontradas uma delas faz referência ao entendimento que estes jovens têm dos riscos que correm, o quanto eles conseguem se posicionar de forma coerente diante das situações que enfrentam. A confiança que os pais podem ter neles e como esses adolescentes podem ter, em seus pais, a confiança e liberdade para confidenciar suas angústias e questionamentos.

Mudar a percepção de que estão em lados opostos e passar a se colocar como companheiros desta caminhada, esta é a proposta de cultivar a confiança entre pais e filhos. Cultivar a cada dia a confiança e a reciprocidade. Para isso basta ficar atenta a algumas situações:

Ouvir verdadeiramente suas dúvidas

Sem sobrecarregar as conversas de conselhos e direcionamentos com lições de moral e broncas. Buscar sempre a possibilidade de aprendizagem. Mostrando o caminho e os riscos, oferecendo e esclarecendo possibilidades. Entender que os erros farão parte do desenvolvimento e do autoconhecimento e aceitação. Um momento de busca pelo próprio sentido de vida, da própria identidade. Momento em que fica evidente sua forma peculiar de lidar com as angústias e com os sofrimentos, com as dores e as alegrias da vida.

Permitir que o adolescente cresça e aprenda seus limites

Seus pontos de sucesso, aceitando suas falhas e se permitindo lutar pelo que deseja. Encarando todas as responsabilidades e possibilidades que se abrem diante desta nova perspectiva. Oferecer o ombro sempre que necessário. De uma forma leve e livre de cobranças e críticas. Mas como apoiadores e incentivadores da luta diária que eles enfrentam nesta fase.

Conviver e conhecer a realidade que ele vive

Quem são seus amigos, quais as maiores dúvidas que eles estão vivendo neste momento. A medida que nos aproximamos dos filhos e de seus amigos adolescentes, permitimos ser a referência e o suporte deles. Um ponto importante para estabelecer a confiança é estar presente.

Ser “amigo e conselheiro”. Apoiar as decisões e oferecer o suporte necessário. Quem cresce com espaço e sentimento de pertencimento e aceitação traz consigo uma fortaleza e uma confiança.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga – CRP: 08/09475

Divórcio e família

Até que a morte nos separe. Para alguns casais este é o marco que confirma a união. Quando a separação chega antes, o casal precisa lidar com a dor, o esvaecer dos sonhos e, não raro, ainda equilibrar e dar suporte para os filhos.

Quando o relacionamento termina e o casal ainda não tem filhos é mais simples seguir em frente e refazer a vida. Mesmo com suas dificuldades, podem até nunca mais encontrar ou ter qualquer tipo de contato um com o outro, o que viveram fica no passado e a vida se renova a cada dia, até que ficam algumas lembranças e nada mais. Mas quando a separação envolve filhos, especialmente crianças, existem outras dificuldades. É preciso estar atento para ajudar os filhos a lidarem com o processo e saber que o contato entre os pais será necessário, ainda que a separação não seja amigável, pois sempre haverá uma responsabilidade em comum: a educação e o suporte aos filhos.

As crianças não têm responsabilidade sobre o relacionamento dos pais. Não existe ação possível da criança que resgate o amor e a cumplicidade, essas ações e responsabilidades dependem exclusivamente do casal. Para libertar os filhos dessa responsabilidade evite permanecer num relacionamento fracassado pelo fato deles existirem, e jamais diga que eles foram o motivo de se manter nesse relacionamento. A criança sentirá o peso e pode se culpar e sofrer por sentir-se responsável por uma união que não era saudável.

Você já não ama seu (sua) ex, mas ele sempre será parte da vida do seu filho. Cuidado com o que diz e com a forma como se refere ao antigo cônjuge. Falar mal do outro na frente dos filhos é grave e faz a criança sofrer. Por mais que ela pareça concordar contigo em alguns momentos, ela pode sofrer calada. Ela ama os dois e quer poder ter espaço para continuar amando, confiando e acreditando em ambos. Além disso, esse pode se desenrolar num caso de Alienação Parental, uma questão que pode, inclusive, afetar a guarda que você tem do seu filho.

Faça sempre o possível para proporcionar para seus filhos um ambiente harmonioso e emocionalmente saudável. Caso o casamento não seja viável considere a separação como uma alternativa, se isso possibilitar um ambiente sem brigas e tranquilo. É muito provável que seu filho perceberá que ter duas casas será mais saudável do que viver num ambiente com brigas frequentes. Não é fácil separar, mas acredite, é possível separar sem muitas brigas e num processo de forma mais equilibrada. Para isso, busque o suporte de um bom psicólogo e de um bom advogado.

O amor e a empatia têm o poder de curar e resolver muitas coisas. Quando essa é a base, fica mais fácil apoiar o outro na sua decisão, mesmo que isso te faça sofrer, aceitando que você não pode forçar o outro a viver aquilo que não deseja mais. Deixe o outro seguir seu caminho, da forma como escolheu, e se permita olhar para as suas possibilidades, sem imposições e sem criar situações desconfortáveis. Afinal, vocês sempre serão pais, independente de viverem na mesma casa todos os dias ou de intercalarem o cuidado e dividirem a guarda.

Independente do modelo de guarda, mantenha as responsabilidades com os filhos. Efetue pagamentos e pensão em dia, participe da vida deles ativamente, conheça os amigos, esteja nas apresentações escolares, saiba qual a comida preferida, esteja junto, abrace e demonstre o quanto o ama. Sua relação com o filho será para sempre, embora o casamento por vezes acabe.

Respeite o próprio caminho e o caminho daquele que agora deixa de partilhar os dias ao seu lado. Busque internamente forças para fazer o que é correto. Pense nos filhos e procure proporcionar um ambiente leve para eles. Para ajudar na empatia, lembre-se de você na infância, se imagine com a idade deles vivendo uma situação semelhante e como gostaria que seus pais tivessem lidado com esse processo. Como gostaria que tivessem te envolvido? E como gostaria que tivessem te apoiado?

Simone Steilein Nosima – Psicóloga – CRP: 08/09475

Tendência a olhar o copo “meio vazio”? Pode ser Distimia

Sabe aquela pessoa que parece estar sempre desanimada? Que dificilmente é vista alegre e cantarolando as coisas boas da vida? Se você já pensou em alguém mal-humorado ou ranzinza pode começar a rever os seus conceitos. O Transtorno Distímico tem, resumidamente, esta descrição.

Distimia pode ser percebida em pessoas que possuem um humor deprimido, que tendem a serem mais desanimadas e mais difíceis de agradar do que outras pessoas. Também críticas e com tendência a ver o mundo por um ângulo negativo. Quem apresenta o transtorno, pode  lidar com as situações do dia a dia, trabalhar, estudar. Mas com reclamações e percebendo dificuldades para encontrar motivação para encarar a rotina com prazer e leveza.

Quem sofre de Distimia sente-se mal uma grande parte do tempo e apresenta uma tendência à parecer ter baixa autoestima, confia pouco em si e nos outros. Reforça o olhar nas dificuldades e no que deu errado, valoriza pouco os acertos e tende a não comemorar as próprias conquistas. Também relata uma grande sensação de “vazio” que não consegue ser preenchido com nada. Em um momento sente-se melhor e logo em seguida já está chateado novamente. A sensação de desânimo pode durar anos.

O diagnóstico nem sempre é fácil. Já que os sintomas podem ser confundidos com o de outros transtornos, como o Transtorno Depressivo ou o Transtorno Bipolar, e em casos mais leves parece somente uma forma de olhar o “copo meio vazio”. Para que o diagnóstico seja feito corretamente é preciso que o paciente tenha uma boa percepção sobre si mesmo e suas variações de humor, bem como da intensidade delas. Por isso, para facilitar o diagnóstico, é recomendável que fique atento ao seu humor, variações e intensidades e, se possível, faça anotações sobre as condições de humor que considerar mais importantes. Esse será um ponto determinante no momento do diagnóstico.

Distimia tem tratamento:

O tratamento é feito com Psicoterapia e medicação – receitada pelo médico Psiquiatra. Não existe um tempo mínimo ou máximo para os cuidados, os casos variam de acordo com a intensidade e a resposta do paciente aos procedimentos. Com o tratamento, o esperado é que a pessoa consiga sair da fase deprimida e possa encarar as coisas com uma carga menor de tristeza e sofrimento.

Existem impactos na vida pessoal, nos relacionamentos amorosos, no convívio familiar e até mesmo no trabalho. A dificuldade maior é que um grande número de pessoas sente-se incomodado com o constante humor deprimido do distímico. Conflitos, diminuição da convivência e isolamento costumam ser comuns.

É completamente normal sentir-se triste em algum momento da vida. O que diferencia a tristeza comum dos transtornos é o tempo e a intensidade desse sofrimento. Para que você consiga diferenciar é imprescindível o acompanhamento de um profissional qualificado.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga – CRP: 08/09475

O que você cultiva?

Ter um cantinho de terra para cultivar vai além disso. Independente do espaço físico que você tenha em casa – se mora em casa ou em um apartamento -, é possível escolher alguns itens para cultivar. E mais! Aprender muito enquanto cuida do seu pedacinho de terra. Porque quando o amor e o comprometimento formam uma base sólida não existe praticamente nada que não seja possível produzir.

É certo que você aprenderá muitas coisas ao decidir se dedicar ao plantio. Basta ficar atento às várias situações que viverá e em como poderá transpor isso tudo para o seu dia a dia. Vale a pena cultivar, valerá ainda mais a pena colher os frutos do seu trabalho – garanto!

Nós decidimos ter um pedacinho de terra para chamar de nosso quando nossa filha tinha poucos meses de vida. A ideia inicial era poder proporcionar para ela uma vida mais próxima da natureza, com muitas aprendizagens e experiências. E deu certo! Todos aprendemos muito.

Desde que começamos a cultivar fortalecemos a paciência. Sim. Quando você planta demora um tempo para que o alimento cresça e possa ser consumido. Algumas coisas demoram meses até estarem prontas para a colheita. Estar o tempo todo ao lado do canteiro não fará as coisas irem mais rápido, tudo tem seu tempo e é preciso esperar o tempo de brotar e amadurecer. Quando você transpõe isso para a vida é da mesma maneira. Por mais velocidade que você coloque nas coisas elas vão demorar o tempo necessário para amadurecer.

Algumas coisas eu nunca consegui produzir, mas continuarei tentando. É preciso perseverança para conseguir ter o que quer. Mesmo que não dê resultados nas primeiras tentativas, um dia pode dar certo. A não ser que você desista de tentar, aí realmente não irá colher o que deseja. Nem sempre é fácil conquistar, na vida também é assim.

Passamos a cuidar cada vez mais do que temos. Pode ser a melhor semente, a melhor muda, nada irá produzir se você não cuidar do que plantou. Regar, tirar as ervas daninhas, equilibrar a luz. Muitas coisas precisam ser feitas para acompanhar e preservar a produção. Transferir o amor para o que faz, prezar pelo que fez até ali e poder olhar adiante com compromisso e paixão.

Também aprendemos a lidar com as perdas. Pode ser que a chuva de granizo comprometa seu canteiro. Pode ser que as pragas consumam toda a sua produção. É um exercício interessante perceber como o equilíbrio com a natureza se mantém e como isso pode te afetar. Algumas vezes o planejamento não sai como esperado e precisará lidar com aquilo que esperava ter e não terá. Por maior que seja a frustração terá que arregaçar as mangas e recomeçar.

Quando você preserva a natureza ela te devolve das melhores maneiras. Na nossa horta passamos a adotar a compostagem como forma de aumentar a produção. Aquilo que era lixo hoje é adubo e só temos vantagens com essa atitude. É um exercício de olhar para fora de si e da própria casa e entender o impacto das suas decisões e comportamentos para toda a sociedade.

A saúde que você põe na mesa virá repleta de amor e qualidade. Produzir, preparar e comer. Uma sequência que traz proximidade familiar e uma ótima oportunidade de ensinar sobre a importância de comer com qualidade e variedade. Cuidar da saúde é um exercício de toda a família e pode ser feito de uma forma agradável e repleta de amor.

Plantar pode ser terapêutico, mexer na terra, manter contato com a natureza. Separar um tempo para si, para poder entrar em contato com seus pensamentos e sentimentos. Enquanto as mãos movimentam a terra a cabeça e o corpo podem entrar em sintonia e desacelerar da rotina exaustiva da semana. Paz e serenidade podem tomar conta das emoções e pensamentos.

Parece simples, mas quanto mais você se dedica, mais aprende e mais pode compartilhar com as pessoas próximas. No nosso caso tivemos a oportunidade de fazer vários amigos, vizinhos de horta, ensinar nossa pequena mais até do que relacionei acima, dividimos nossa produção com os amigos e criamos um compromisso com a saúde, com a natureza e o meio em que vivemos. Não precisa ser expert para começar, aos poucos aprenderá tudo o que precisa saber para produzir o que deseja. Escolha o formato que mais lhe agrada e mãos à obra.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga – CRP: 08/09475