Como ajudar as crianças a passarem pelo luto

Quando perdemos alguém a dor é momentânea e difícil de encarar. Sofrer faz parte da perda e seguir em frente também. Mas quando a perda envolve uma criança sempre aparecem dúvidas de como ajudar os pequenos a passarem pela dolorosa experiência.

No universo infantil, lidar com a perda é uma situação difícil e ao mesmo tempo nova. A criança ainda está estruturando seu emocional e aprendendo, aos poucos, a lidar com as situações da vida. À medida que o sofrimento aparece, é necessário explicar e ajudá-la a entender todo o ocorrido. É através disso que ela terá as condições necessárias para se reequilibrar.

Acolha o sofrimento da criança

Sofrer faz parte do luto e cada um sofre à sua maneira. As crianças podem ter dificuldade para entender e aceitar a perda. Fique atento à mudanças de comportamento, tais como isolamento, agressividade ou alguma outra dificuldade que não apresentava antes, pois pode ser um indício de que ela está sofrendo sem conseguir verbalizar e pedir apoio. A ajude a entender que é natural sofrer e sentir a falta de quem partiu. Permita e se coloque à disposição para que ela busque sua ajuda quando quiser e achar necessário.

Ajude a criança a entender o que aconteceu

Ela terá dúvidas sobre a morte, o sofrimento e a sequência da vida dos que ficaram. Algumas perguntas como: “O vovô não vai mais voltar?”, “Para onde vão as pessoas quando elas morrem?”, provavelmente vão surgir e é importante que você esteja disposto a esclarecer os questionamentos dela. Caso tenha uma religião, exponha como sua religião explica e entende a morte. Usar a fé para apoiar as crianças a passarem pelo luto pode trazer conforto e tranquilidade para ambos.

Levar ou não a criança ao velório/enterro

Decisão difícil, mas importante. Vai depender da idade da criança, vínculo de proximidade que ela tinha com a pessoa que faleceu, a forma como você conseguiu explicar a morte e como pretende tratar isso na sequência. Para te ajudar a refletir sobre a situação pense em como ela poderá se comportar no funeral e quem vai estar com ela nesse momento. Ela pode sim lembrar do que viu no velório e você deve conseguir explicar para ela o que é e para que serve esse ritual. Este momento é um momento de despedida, e pode significar isso para as crianças também. Aprender a lidar com a morte é parte de estar vivo. Quanto mais coerente e afetuoso você for mais chances de ela conseguir lidar melhor com isso.

O que não dizer para crianças em luto

Desvirtuar o termo ou tentar amenizar em excesso a situação pode ser prejudicial. Quando dizemos “O vovô agora está dormindo para sempre”, podemos confundir a criança com termos usuais do dia a dia, além de gerar uma expectativa de retorno, de que a pessoa irá acordar ou voltar de seu descanso.

Amenize a dor do luto com amor

O sofrimento aparecerá e um ombro amigo fará diferença. Quando a criança sente que é acolhida num momento de desconforto e sofrimento ela percebe que tem o seu lugar, e que sempre terá a quem recorrer, sentindo-se segura e confiante nos adultos que a cercam.

Respeitar o tempo e o sofrimento do outro é agir com empatia. Espere e esteja à disposição, evite acelerar as coisas ou tentar fazer a criança esquecer o que está vivendo para não sofrer. Às vezes, se forçar a tirar da memória aquele que partiu traz ainda mais dor do que se permitir viver a saudade que fica.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

 

Como superar o peso emocional das dívidas

Manter as contas em dia e um saldo positivo no banco é uma grande satisfação. Mas, infelizmente, nem todos conseguem. Especialmente em tempos de crise, o número de pessoas endividadas aumenta. Além das dificuldades de crédito, a pessoa precisará lidar com as questões emocionais que decorrem do endividamento. Sim, uma dívida pode tirar o sono e causar um grande estresse.

As pessoas não deixam de pagar a contas ou entram no vermelho porque querem, mas por questões de necessidade ou dificuldade em gerir a entrada e saída de dinheiro. Encontrar maneiras de se relacionar bem com sua condição financeira envolve aprender a equilibrar o peso emocional das dívidas e trabalhar sua relação com o consumo.

Sintomas como insônia, estresse e ansiedade são comuns em pessoas que não estão com as contas em dia.

A angústia iminente de não conseguir arcar com as despesas da casa, de ter um crédito negado ou, ainda, de ter cobradores em sua procura, faz com que pessoas endividadas desenvolvam quadros de ansiedade e de estresse. E aquilo que já estava ruim, tende a piorar. Para resolver essa questão é preciso focar em dois pontos: sanar as dívidas e aprender a controlar as emoções.

Para eliminar as dívidas

Tenha consciência sobre a dívida,tire extrato, converse com os credores, com o gerente do banco. Algumas pessoas ficam com receio de saber “o tamanho” da dívida, sentem vergonha de pesquisar e se informar, e justamente por não fazerem isso acabam se endividando ainda mais. Quando você compreende a dimensão da dívida pode tomar atitudes para resolver o problema.

Fique atento aos seus gastos, aos gatilhos de compra e principalmente aos gatilhos emocionais que te mantêm com as contas no vermelho. Como por exemplo: “Eu vivo trabalhando e nunca me dou nada, esse presente eu mereço e vou me dar”. “Mês que vem eu dou um jeito na conta, que diferença vai fazer gastar um pouco a mais”? Atenção irá te ajudar a deixar de lado alguns gastos, entender outros e resolver tudo o que pode ser resolvido.

Adeque-se ao momento. Ajuste as contas, priorize e corte o que for supérfluo, terá que fazer ajustes para conseguir honrar as contas. Se possível, elimine os gargalos como o cartão de crédito e o cheque, de uma forma ou de outra são recursos que te permitem gastar sem perceber.

Converse com sua família e busque apoio. Será necessário que todos façam cortes e entrem no novo esquema de gastos familiar. Quando apenas uma pessoa faz economias e ajustes o gasto não diminui o suficiente.

Reconheça seu perfil consumidor. Mesmo que você tenha um perfil ousado e não se importe em assumir riscos, nesse momento uma postura conservadora pode ser mais adequada. Cuide com investimentos ou gastos que não se encaixam nesse perfil.

 Para controlar as emoções

Identifique os sintomas. Avalie como tem se sentido nos últimos tempos. Mudanças de humor, dificuldade para dormir ou aumento do sono, excesso de preocupação entre tantas outras coisas. Perceba o que mais te incomoda e busque mecanismos para tentar controlar.

Encontre formas de reequilibrar suas emoções. Pratique esportes, leia e se permita momentos para relaxar, baixar a tensão e perceber as coisas boas que tem vivido. Sempre será possível encontrar algo bom na turbulência, acredite.

Técnicas de respiração e relaxamento serão bem aproveitadas. O resultado é uma sensação de tranquilidade, juntamente com uma sensação física mais equilibrada. Com toda certeza vale a pena investir um tempo nisso. Pare por cinco minutos pela manhã, tarde e noite, coloque uma música tranquila, sente-se de forma confortável, respire e inspire, enquanto isso preste atenção no seu corpo e em como ele corresponde ao relaxamento. Busque leveza e bons pensamentos nesse momento.

Por mais endividado que você esteja concentre sua energia em resolver o problema. Manter-se endividado a longo prazo pode trazer consequências emocionais bastante negativas para você e sua família. A sensação de deitar a cabeça no travesseiro e estar com as contas em dia trará satisfação, lhe garanto. Conheça seus pontos fracos e fortes, busque ajuda e mude essa realidade.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

Deseja ter sucesso em seu empreendimento?

Nos últimos meses muitas pessoas decidiram empreender, algumas realizando sonhos e outras para poder driblar a crise e os números do desemprego. Para todas fica uma certeza: será preciso se dedicar e se esforçar para que seu negócio evolua e se torne sustentável e rentável.  Poucas empresas nascem grandes, para a maior parte dos empreendedores será necessário um pouco de esforço e investimento para chegar onde realmente deseja. Porque para isso, precisa de um alto investimento financeiro, o que muitos empreendedores não dispõem. Na maioria dos casos, o negócio surge com uma ideia, um investimento financeiro possível, um interesse profissional e de mercado. Com o passar do tempo, cresce e toma a forma desejada.

Para tirar seu negócio do papel e dos sonho será necessário um bom planejamento, um aporte financeiro, desenvolvimento de habilidades de gestão e negócios e uma dose extra de esforço e determinação. Você deve refletir sobre seu real interesse e disponibilidade para cada fase.

Do pontapé inicial:

Criar algo do zero pode trazer insegurança e ao mesmo tempo motivação, vontade de realizar aquilo que pode ser uma mudança decisiva na sua vida profissional. Um planejamento que considere riscos e possibilidades vai te ajudar a direcionar e trabalhar as expectativas. Se você tem uma ideia do que quer, prepare um bom Plano de Negócios (você consegue encontrar alguns modelos e sugestões na internet). Ao detalhar seu plano de negócio você fará reflexões importantes sobre o que precisa e como vai fazer para viabilizar o negócio. Invista tempo e estudo nesta fase. Isso vai trazer a segurança e a percepção real que precisa antes de colocar o negócio em prática, diminuindo a chance de fazer algo por impulso ou se aventurar em algo que não te trará retorno.

O lançamento aconteceu, mas as coisas ainda não estão como você esperava. E agora?

Calma, leva um tempo para o plano começar a movimentar da forma como você imagina. Seus clientes precisam saber do seu empreendimento e da qualidade dos seus produtos, só depois disso passam a confiar e consumir seus produtos com frequência. Considere no seu planejamento um tempo de movimentação baixa e faça uma reserva financeira para isso – com toda certeza você vai precisar. O interesse surge aos poucos e, com a percepção de qualidade dos produtos e do atendimento, o cliente vai se fidelizar, considerando que ele precisa antes ter certeza de que seu produto terá sempre a mesma qualidade.

No que investir para movimentar o negócio?

Em credibilidade! Fazer isso exigirá trabalho e esforço. Não é algo que se compra pronto e depende pouco do marketing e investimento financeiro, é construído dia a dia com determinação e competências comportamentais e técnicas. O número de produtos e serviços oferecidos, a qualidade do serviço e atendimento, a manutenção e o pós-venda, tudo isso vai fazer ele definir pela primeira compra e retornar quando estiver à vontade ou sentir a necessidade. Prepare-se para crescer e manter o mesmo nível de serviço à medida que o número de clientes e vendas aumentar.

A concorrência já chegou onde você gostaria:

Olhar para o outro não deve ser mais importante e frequente do que olhar para aquilo que é seu. Cada um sabe dizer de si e do caminho que percorreu para chegar onde está. O que você pode fazer é buscar dicas e conselhos com outras pessoas que já passaram por esta fase para ver como elas conseguiram lidar com isso. Manter uma dedicação e um esforço vão valer em todas as fases.

É imprescindível trilhar o caminho que leva até lá, para conseguir chegar onde deseja. Encarar as dificuldades e desafios que encontrar, com empenho e consciência do que quer. Busque a motivação dentro de você para conseguir manter um nível de esforço que seja viável pelo tempo que precisar. Tenha perseverança e paciência para que a coisa possa tomar forma no tempo de mercado e nas possibilidades, e não somente na sua vontade de que tudo aconteça rápido. Com esforço e determinação você chegará lá. Só não vale desistir, ok?

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

Qual o limite entre a autoestima e o egocentrismo?

Amar suas qualidades, conhecer suas fortalezas e suas limitações faz parte da sua autoestima. Uma forma de poder perceber sua imagem física e sua estrutura emocional de acordo como ela é, valorizando e reconhecendo aquilo que você tem de melhor. Uma percepção sustentada por uma base sólida de autoconhecimento e aceitação pessoal.

Mais do que gostar da imagem que vê no espelho, a autoestima tem relação com um reconhecimento global de suas possibilidades, de saber lidar bem com as suas falhas e de manter a percepção e o estímulo de reconhecimento vindos de si mesmo.

Uma pessoa que tem uma boa autoestima reconhece e confia em suas capacidades, tem uma menor reação negativa aos comentários e críticas das outras pessoas, sabe os seus limites e a melhor forma de se respeitar e respeitar os outros. Não precisa se sentir linda o tempo todo, mas sabe exatamente o amor e a estima que tem por si mesma. Não busca incessantemente a opinião dos outros, nem para confirmar o que sabe sobre si e nem para alimentar e acariciar seu ego. Ela não precisa se vangloriar de seus feitos. Ela sabe de si e reconhece suas conquistas, independente da percepção dos outros, diferentemente daquela pessoa que fica o tempo todo se reafirmando publicamente e criando situações para ser elogiada.

Esta tem uma percepção exagerada de si mesma, força uma imagem de fortaleza, usa uma máscara de perfeição. Considera-se melhor que os demais e demonstra pouco ou nenhum interesse em receber críticas, mesmo que sejam construtivas. Sua imagem parece construída por um especialista em marketing. Tudo pensado para parecer ser inabalável e perfeita. Essa situação, ao contrário do que muitos pensam, não demonstra uma boa autoestima, mas um comportamento egocêntrico.

O limite entre os dois não tem relação com o quanto a pessoa se ama e sim com a forma como se conhece, percebe seu potencial e a forma como lidam com suas fragilidades e falhas. No caso da egocêntrica, ela se mostrar como forte e inabalável para que os outros tenham a percepção de alguém com grande autoestima e muita confiança. Em geral, os outros a percebem como inabaláveis e, em alguns casos, passam mesmo a imaginar que aquela “figura montada” é real. E muitos querem ser fortes e inabaláveis no mundo real, não é mesmo? Este comportamento egocêntrico passa a dar para ela a sensação de conquista, poder e sucesso.

Vale lembrar que a diferença entre a autoestima e o egocentrismo não está na quantidade de amor e confiança que a pessoa tem por si mesma. Na autoestima, o amor é real e equilibrado, a pessoa se demonstra como é e se ama e se respeita da forma como é. No egocentrismo, a pessoa não se conhece verdadeiramente e precisa dos méritos para poder se firmar e se perceber no lugar de destaque, mesmo que quem fale mais de seus méritos, nem sempre fale com mais propriedade e verdade.

A grande dificuldade em lidar com pessoas egocêntricas é que elas tendem a ser individualistas e menos empáticas. Sendo assim, ela tem dificuldades em dividir os méritos com a equipe, preferindo assumir toda a responsabilidade pelo que deu certo e se eximindo dos erros. Pode até mesmo usar de informações irreais e pequenas mentiras para se favorecer e transmitir a percepção extremada de suas conquistas. Elas podem se apresentar de forma encantadora quando precisam da sua ajuda, mas podem sumir e te deixar na mão quando lhes convém.

É provável que estas sejam as características de uma pessoa egocêntrica que têm mais impacto no seu círculo social e profissional. O convívio com ela, em geral, é complicado. Muitas vezes pode ter a sensação de ter sido desfavorecido e até mesmo enganado por ela e a conversa sincera pode não parecer o caminho mais correto a se tomar, justamente pela dificuldade em perceber e assumir seus erros que a egocêntrica tem.

Para facilitar o convívio, você deve trabalhar a sua percepção sobre si mesmo e sobre os outros. Assim será mais fácil confiar e se sentir à vontade para conviver com ela. Evite embates e grandes discussões, os erros da outra são dela e ela é quem deve trabalhar para percebê-los. Aja com humildade e naturalidade, a sua leveza vai amenizar e equilibrar as coisas.

O egocentrismo, assim como um nível rebaixado da autoestima, deve ser trabalhado psicologicamente, para que a pessoa possa se conhecer verdadeiramente, aceitando suas dificuldades e respeitando seus limites, com um olhar para suas fortalezas e uma energia para seguir em frente independente das dificuldades.

É provável que você tenha se identificado com um ou mais exemplos que comentei no texto. Oscilar entre o egocentrismo, a autoestima e baixa autoestima é possível e até normal. Em alguns momentos será necessário um olhar maior sobre você e sobre a sua postura que pode parecer egocêntrica, mesmo que seja por poucos instantes. Em outros dias você pode não acordar tão satisfeito com suas qualidades e com sua imagem, e isso não significa que não se conheça ou se aceite verdadeiramente.

Avalie seu nível de Autoestima. Oscilar entre os três níveis é comum, mas caso você mantenha-se com mais frequência em uma das extremidades vale buscar ajuda para poder equilibrar a Autoestima.

Fique atento ao quadro em que você se mantém a maior parte do tempo e na forma como lida com as mais variadas situações. Evite criar rótulos e crenças sobre si mesmo. Ao mesmo tempo em que algumas delas podem te impulsionar, outras podem te limitar e, dependendo do seu nível de conhecimento, uma pode não refletir de fato suas capacidades.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

O impacto do filho no relacionamento do casal

Foram nove meses de gestação, muitos preparativos, um mundo de novidades, cursos e palpites vindos de todos os lados. Chega o dia do nascimento e com ele mais novidades e desafios, mamadas, noite em claro, fraldas e muitos outros cuidados. Alguns dias depois já é hora do tão sonhado momento de viver em família. Todos vão para casa, lindamente decorada para a chegada do bebê. Milhares de vídeos passam pela cabeça, embalados ao som de músicas alegres. A expectativa de como será a vida em família é a melhor de todas, tem tudo para ser o sonho perfeito.

Mas será que a chegada de um filho é realmente simples e fácil para a vida do casal? Na verdade, não é. Na realidade é uma prova de fogo para o casamento. O primeiro ano da criança é um ano de bastante aprendizado e abdicações na vida do casal. A rotina e o relacionamento devem passar por uma adaptação, um novo contrato e uma nova forma de se relacionar deve surgir, para que o casal possa continuar sendo casal dentro desta família.

É provável que ocorram desentendimentos, mesmo os que se julgam preparados para a chegada do bebê enfrentam isso. Alguns dos principais motivos são a nova rotina, a dificuldade de encontrar tempo para si e para o cônjuge, os palpites e as interferências das famílias.

Mudanças da rotina

Antes eram apenas dois. Quando chegavam em casa dava tempo de preparar o jantar com tranquilidade, tomar um longo banho, conversar e namorar. Mas depois do nascimento do filho a rotina muda completamente. Os pais percebem-se perdidos entre tantas fraldas e lenços umedecidos, mamadas e cantigas. A expectativa de que vai ser fácil é quebrada já na primeira semana. O ideal é muito diferente da realidade.

As atenções da mãe passam todas para os cuidados com o filho, já o pai mantém sua rotina de trabalho e acaba exposto a outras prioridades. Mesmo quando a mãe volta para o trabalho a rotina da casa e os cuidados com o filho tomam muito tempo do casal, os dois percebem-se cansados e sem muita energia para levar uma vida mais próxima da que levavam antes.

A adaptação da rotina acontece de forma mais tranquila quando a mãe pode contar com o apoio do pai em algumas tarefas domésticas e de cuidado com o bebê. Resgatar antigos contratos de convivência é necessário, as mudanças e adaptações são para os dois.

A intimidade do casal

O tempo para conviver sozinhos, um momento a dois sem interrupções e sem se preocupar com nada, já não existe mais. E isso não é de todo ruim, afinal a criança precisa mesmo de muita atenção nestes primeiros anos. Se ela não for cuidada e amada ela não irá crescer e se desenvolver de forma saudável. É importante que dentro desta rotina de cuidados com a criança os pais encontrem tempo para si mesmo e para o outro.

A cumplicidade e o companheirismo devem falar mais alto. É importante que os dois possam conversar sobre si e as mudanças que estão vivendo. Que decidam juntos como educar o filho e como fazer para que o casamento e o amor continuem sendo a base desta família. Com certeza não irão concordar sempre, mas precisam sempre falar o que pensam e encontrar uma forma de encarar as dificuldades juntos.

Preservar momentos a dois, como sair para jantar sozinhos, traz a possibilidade de manter o romantismo e a união. Ter pessoas para ajudar neste momento conta muito. É possível pedir ajuda para a madrinha, para a titia e vovó. Aproveitar o momento para namorar, contar as novidades de cada um e relembrar as velhas histórias do casal ajuda a resgatar as memórias e motivos que levaram os dois a querer passar todos os dias juntos, enfrentando as dores e as delícias do casamento.

Se a vida sexual não está mais como era antes, saiba que também é comum as coisas esfriarem por um tempo. A libido da mulher não é a mesma durante a fase de amamentação. Em alguns casos a aceitação do corpo e da auto imagem mudam muito. E vale lembrar que o cansaço não é afrodisíaco para ninguém. O diálogo é a ferramenta que possibilita o entendimento e as alternativas para resolver esta questão. Falar sobre o que incomoda é fundamental para os dois. Encontrar alternativas para contornar os problemas é algo que deve ser feito em conjunto. Um respeitando o outro e os dois se ajudando, sendo os companheiros que eram até então.

Palpites da família

É difícil para a família se controlar e não dar palpites neste momento. Na maior parte dos casos a vontade de ajudar é genuína. Se a presença dos avós minou ainda mais a relação e a rotina do casal, vale uma conversa com eles, impor alguns limites e regras pode garantir um bom convívio.

O cuidado de cada um

Para que o casamento continue os dois terão que fazer concessões e tomar atitudes. A mudança deve partir dos dois pelo bem comum. E será no diálogo que estes pontos irão aparecer. Neste momento o casamento é como uma planta, um vai regar, outro vai adubar, mas a responsabilidade é dos dois.

Se você se identificou com o texto, saiba que não está sozinho. Esta situação é mais comum do que as pessoas deixam transparecer. Várias pessoas buscam ajuda de terapeutas para conseguir esclarecer seus papéis dentro da nova formação familiar. A pessoa fica envolvida em meio a tantos conflitos e dúvidas que parece não haver alternativas. Entenda que pedir ajuda de um profissional, ou o bom e velho conselho de quem já passou por isso, pode ajudar a esclarecer muita coisa.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

Felicidade moderna

Num mundo sem segredos, onde tudo vai parar nas redes, o que se come e como sentem-se, a felicidade constante e intensa é a realidade atual. Mas na verdade, não é bem assim.

O objetivo comum é ser feliz. Todas as pessoas buscam isso constantemente. Mas o que significa isso, o que define e mede a felicidade e traz a tranquilidade de dever cumprido?

Tão buscada e ao mesmo tempo tão escancarada nas redes sociais, a felicidade é alvo constante de críticas e olhares invejosos. O riso solto, a disposição física e emocional, a superação a realização profissional, a família perfeita. O que a maioria das pessoas consideram hoje por felicidade pode ser uma utopia. Para muitos a felicidade é praticamente a ausência de problemas, uma vida leve e constantemente feliz, O que torna sua conquista algo quase inatingível. Baixar a expectativa da vida perfeita pode ajudar a aproveitar melhor cada momento e viver a felicidade em sua plenitude.

Existe uma cobrança da sociedade para a felicidade constante, não é mais permitido ficar triste. O problema disso é que a tristeza é um sentimento tão genuíno quanto a felicidade. Não existe uma forma de passar pela vida sem sofrer. Ficar triste em alguns momentos é muito diferente de ser depressivo ou de ter uma visão negativa da vida. Pode simplesmente significar que a pessoa tem inteligência emocional suficiente para se permitir viver o sentimento que tem para viver naquele momento.

A mudança consiste em reconhecer o que te faz feliz, em conseguir olhar para as pequenas coisas e perceber como elas afetam de forma positiva, ou não, sua vida e sua rotina. O autoconhecimento traz a possibilidade de lidar com a tristeza de forma mais coerente, e melhor ainda, traz a possibilidade de ir em busca do que te faz feliz.

Que tal se permitir sentir o que tiver que sentir? Afinal como disse Vinicius de Moraes: “É preciso um bocado de tristeza, senão, não se faz um samba não”.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

Porque você não deve mentir na entrevista de emprego

Quem nunca ficou inseguro ao participar de uma entrevista de emprego? O momento gera incertezas e ansiedade, principalmente quando é a vaga dos seus sonhos. Então, vem a mentalização de um roteiro perfeito do que dizer para conquistar o cargo, mas saiba que não vale de tudo neste processo, a sinceridade tem um peso muito grande em todas as fases.

O objetivo da análise de currículo e da entrevista de emprego é buscar a pessoa que mais se adequa ao perfil da vaga e da empresa. Isso envolve conseguir arcar tecnicamente com a tarefa proposta e ter uma adaptação mais rápida ao perfil da empresa, incluindo relacionamento com os colegas de trabalho, maneira como lida com cobranças, equilíbrio emocional, dentre vários tantos outros.

Quando você diz que lida bem com a pressão e isso é mentira, você corre o risco de viver num ciclo de ansiedade elevado, sendo cobrado ao extremo e sem conseguir dar conta da cobrança com a seriedade e calma que o cargo e a empresa exigem. No momento da entrevista pode não perceber o impacto dessa mentira, mas acredite, se a empresa perguntou é porque isso é importante na rotina de trabalho.

Às vezes sua competência técnica não está totalmente de acordo com o solicitado no anúncio da vaga e isso nem sempre é ruim. Quando você sabe o que quer para sua carreira e o que o mercado exige para te contratar numa vaga dessa, prepare-se. A empresa está considerando que não precisará de tanto tempo para treiná-lo na função e, certamente, a mentira ficará evidente em algum momento.

Avalie se seu perfil comportamental é compatível com o perfil da empresa. Algumas empresas são conhecidas no mercado por terem um perfil mais agressivo, outras mais conservador. Informe-se com sua rede de contatos sobre a empresa, avalie se esta realidade é adequada para seu estilo de vida e o que deseja para você.

Manter um discurso com base na sinceridade ajuda a manter uma linearidade e clareza durante a entrevista, aumentando a possibilidade de demonstrar seus diferenciais e as vantagens da sua contratação. Por mais que tenha planejado bem o que iria dizer, quando o recrutador é bom, ele poderá perceber o que é verdade ou não no seu discurso.

Não aposte tudo na entrada, lembre-se que existe o período de experiência. Ser contratado não é tudo, ainda terá três meses para ser realmente efetivado. Aquela mentirinha para facilitar sua entrada pode ficar evidente, fazendo com que você seja desligado na experiência.

A entrevista é uma forma da empresa te conhecer e vice-versa. É a oportunidade de a empresa avaliar seu perfil e de você saber como é o estilo de trabalho e a tarefa que vai desempenhar, questionar sobre o salário e benefícios e avaliar se aquela vaga te atrai. Quando os dois lados conseguem ser coerentes com o seu discurso, o resultado pode ser uma parceria de muito sucesso.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

Vai comprar uma casa?

Comprar um imóvel é um grande passo e deve ser dado com cuidado e atenção. Antes de iniciar as buscas vale refletir sobre o que deseja e considerar alguns fatores emocionais nesta escolha. Esta será sua morada nos próximos anos e você deve se sentir bem nela diariamente.

Evite comprar por impulso ou sem visitar um número maior de imóveis. Nas compras por impulso, a sua chance de se arrepender é alta, e, na grande parte das imobiliárias, depois de feita a proposta, você só pode desistir pagando uma multa. O ideal é ir para casa, refletir, fazer as contas e tomar a decisão com calma. Outro problema da decisão por impulso é que o momento de euforia pode de impedir de avaliar os pontos positivos e negativos com clareza, fazendo com que o imóvel nem mesmo corresponda totalmente às suas necessidades.

Tenha um corretor para chamar de seu. Um daqueles de confiança que você sabe que não vai tentar insistir em te oferecer um imóvel ruim apenas para ganhar dinheiro, mas que vai tentar encontrar para você o imóvel ideal, sua morada dos sonhos. Essa tarefa nem sempre é fácil, considere seu sexto sentido e empatia para ajudar na busca. Se você não se sente à vontade com o corretor é porque possivelmente não confia nele, o que pode interferir na sua análise do imóvel.

Está comprando um imóvel pensando em aumentar a família? Então considere o que deseja para os próximos anos. Que tal olhar para o passado e lembrar de como foi seu lar na infância? Quais suas principais lembranças relacionadas a espaço, vizinhos e estrutura? Se sua memória te leva diretamente para o playground do prédio, talvez valha você buscar algo que proporcione para seus filhos momentos de brincadeiras e descontração parecidos com o que você teve.

Aperta daqui e dali para caber no orçamento. Calma, as vezes é melhor esperar mais tempo para adquirir um bem nesse valor do que cometer loucuras financeiras. Quando se vive no limite financeiro podem aparecer sintomas de ansiedade e angústia. Para algumas pessoas, esta possibilidade de dívida já traz preocupação. Talvez esperar mais tempo, economizar um valor maior para a entrada sejam as melhores alternativas.

Considere seu estilo pessoal para definir região e características do imóvel. Se você é daqueles que odeia congestionamento, é importante avaliar o trânsito na região nos horários de pico, afinal aquele será seu trajeto durante um bom tempo. Outras situações como ruídos, construções, vias férreas também devem ser avaliadas. Melhor evitar a compra do que lidar com a irritação de viver com algo que te incomoda.

Ao definir e avaliar todas as condições e necessidades, é hora da compra. Faça a negociação e documentação com toda a seriedade e ajuda do seu corretor, isso vai impedir problemas futuros. Depois de finalmente pegar as chaves é hora de comemorar a conquista, viver feliz no novo lar e aproveitar de todo o aconchego e alegria que esse lugar e este momento proporcionam.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

Porque eu escolhi ter uma filha com você

Quando nos conhecemos eu me encantei pelo seu jeito, pelo seu carinho e respeito com as pessoas. Pela sua preocupação genuína, pelo seu senso crítico e sua responsabilidade. Me apaixonei pelos seus olhos, pela verdade que posso ver neles. Pelo seu sorriso, lábios desenhados que transbordam alegria. Me encantei no primeiro instante e em todos os instantes seguintes. Com o passar dos anos decidimos aumentar a família. Entre tentativas e desejos veio uma menininha cheia de energia e vontade de viver intensamente todas as oportunidades que o mundo oferece.

Filhos dão trabalho, isso é verdade, mas ao seu lado a tarefa fica mais fácil. E você tem tanta coisa boa para ensinar para uma criança que acredito que, certamente, será um adulto de princípios assim como você. Dividimos as tarefas, e admito que em vários momentos você assume coisas que eu não tenho muita paciência para desenvolver. Que paizão! Amoroso e dedicado, sempre disponível para brincar, para sentar no chão e transformar um minuto em uma eternidade. Quantas lembranças boas ela terá desses momentos contigo.

Você está sempre presente e podemos contar contigo para tudo. Que bom que é assim, quanta tranquilidade isso me traz e quanta segurança essa presença reforça nela. Você consegue transmitir valores de forma gentil e equilibrada. Que fortaleza! Ela está aprendendo, errando e acertando com a certeza de que sempre terá um lugar de destaque no seu coração.

Fico aqui, babando ao ver o carinho e respeito que vocês demonstram um pelo outro. Não poderia desejar nada mais puro e sincero nessa vida. Em cada um destes momentos tenho a certeza de que você é o melhor pai que ela poderia ter. Sou feliz e grata por dividir a responsabilidade dessa tarefa contigo. Consegue imaginar as angústias comuns para inúmeras mães? Você ameniza várias delas com sua escuta, sua empatia e seus conselhos.

Escolhi ter uma filha com você porque você é íntegro e sabe transmitir e repassar essa integridade para ela. Porque tem o maior amor do mundo e não mede esforços para demonstrar isso dia após dia. Que bom que você cruzou nosso caminho e decidiu seguir na estrada da vida ao nosso lado. Espero que possamos viver longos anos juntos, e que ela consiga ser grata por tudo o que faz por ela, que faz por nós. Ser pai pode não ser tarefa fácil, mas você faz isso com uma maestria ímpar. Parabéns e obrigada por tudo. Nós amamos você para sempre. Feliz dia dos pais!

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

Pai não ajuda, participa!

Não existe pai nem mãe perfeitos. O que existe são pais e mães tentando acertar a cada dia, com uns tropeços ali e outros acolá.

Uma coisa que eu questiono muito é quando ouço as mães falando orgulhosas:

– Meu marido me ajuda, cuida da nossa filha, troca a fralda, é um ótimo pai!

No meu conceito não seria necessário ele “ajudar” se ele assumisse as responsabilidades de pai, com cuidado, atenção e doses extras de afeto. Quem disse que todas as responsabilidades do cuidado com a criança devem ser da mãe? Foi assim na época das nossas avós, mas lembre-se que quando essas mulheres assumiam toda a responsabilidade pelo cuidado dos filhos elas não trabalhavam fora, ainda assim respondiam por muitas responsabilidades em casa, e as que trabalhavam fora se sujeitavam ao sistema sem grandes questionamentos, certo ou errado era o que tinham para o momento.

Hoje muitas mães trabalham fora, muitas por gostar do que fazem e muitas por precisar participar do sustento da família. E por qual motivo continuam com a divisão desigual de tarefas? Sendo ajudadas, como se para o homem participar da educação dos filhos fosse um eterno favor?

Pode parecer pequeno para algumas pessoas, mas em meus atendimentos clínicos, já vi pessoas terminarem um casamento por este motivo. Com o passar do tempo e o aumento do estresse e das brigas a situação pode ficar insustentável. E, no entender do momento, é preciso “jogar fora a relação” por não perceber um jeito de “consertar” o casamento. Triste não?

Existe solução para a participação paterna

Caso você ainda tenha tempo de “consertar” as coisas, veja alguns pontos que costumo trabalhar com meus clientes.

Para os pais:

Participem da vida dos seus filhos. Chegará um momento que você irá querer a presença deles e eles já não desejarão mais a sua. Ou pior, estarão desacostumados a ficarem ao seu lado. Conselhos são bem-vindos, daqueles em quem confiamos, e a relação de confiança deve se desenvolver desde a infância. Quando eles chegam na adolescência dão menos importância para a presença e orientações dos pais. E, bem provavelmente, você se arrependerá de não ter se aproximado deles mais cedo.

Para o casal:

Quando chegarem em casa com seu filho nos braços, vindos da maternidade, façam as coisas juntos. Enfrentem todas as dificuldades juntos. Os choros sem fim, os medos dos banhos, as trocas de fraldas desastrosas. Em alguns casos, as avós acabam assumindo um grande número de tarefas e para o papai sobram comentários como: “Você não sabe trocar, deixa que eu faço isso!”. É provável que o papai nunca aprenda a cuidar se não tiver espaço para tentar. E os papais costumam se virar bem nas tarefas, podem confiar.

Diálogo sempre ajuda, em todos os momentos e em qualquer conflito. Se você está disposto a começar e quer algo bastante eficiente para melhorar essa realidade, que tal uma boa conversa com o cônjuge para ajustar as velas? Filhos dão trabalho sim, mas quando é cuidado à dois a rotina fica mais leve, a vida fica mais tranquila e os dois conseguem equilibrar os papéis com mais tranquilidade e amor.