Porque olhar as coisas de outros ângulos é bom para você

Novos olhares, novas formas de perceber as situações

Quando você se permite ter novos olhares sobre a mesma situação, você amplia seus recursos e suas percepções, cria possibilidades de mudar, fazer diferente e evoluir.

Certa vez fiz um curso de fotografia para amadores. Com câmera simples, sem os recursos que um fotógrafo profissional tem. Uma das atividades consistia em saídas para fotografar, para treinar novos olhares. Uma experiência muito interessante que me ajudou a amar ainda mais a fotografia e ter alguns insights importantes, daqueles que vale carregar para toda a vida.

Lembro bem do dia que fomos fotografar num parque. A proposta era encontrar bons ângulos, iluminação e perspectivas diferenciadas. Passei algum tempo entretida com um banco vazio, a cada ângulo que eu registrava percebia uma imagem totalmente diferente da anterior. Assim é na vida, as coisas podem ser vistas de alguns ângulos diferentes na maioria das vezes. E isso pode mudar o significado, a avaliação e a forma de interagir com as questões.

Você pode trabalhar para ampliar seu olhar. Mesmo quando as coisas parecem ser ruins, elas podem ter uma solução ou uma lição diferente. Quando uma situação te pega de surpresa, é possível que leve um tempo para conseguir organizar os pensamentos e encontrar uma forma de resolver a questão. Mais do que olhar as coisas pelo lado positivo, você pode olhar as coisas com a proposta de solução. Uma maneira prática e consciente de diminuir os impactos do que aconteceu, ou melhor ainda, aumentar o impacto positivo.

Quando as coisas parecerem sem saída, coloque as alternativas em um papel. Considere todas as possibilidades que consegue imaginar, mesmo aquelas que pareçam absurdas. Relacione o impacto de cada uma delas na sua vida, nos seus projetos e sua felicidade.  Comece a mudança da forma que conseguir, não espere estar com tudo pronto para mudar. Quanto antes refletir e começar a mudança, mais cedo terá resultados e mais motivação terá para continuar o caminho.

Siga em frente. Por mais tortuoso que pareça o novo caminho, quando você reflete sobre as possibilidades encontra novos lugares, novas saídas. Apesar de a tendência de retornar para a zona de conforto, evite fazer sempre do mesmo jeito, reflita melhor e faça o que considera correto para o momento. O que precisa ou gostaria de fazer diferente?

Ampliar a mente e buscar outras perspectivas é um exercício e tanto para conseguir ter mais qualidade no que faz e, principalmente, mais qualidade de vida. À medida que você se permite mudar seus conceitos e a percepção das coisas, é possível ampliar seu repertório, sua consciência e sua capacidade de resolver problemas.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

Dicas práticas para controlar a ansiedade na prova do Detran

Logo depois de comemorar 18 anos você inicia as aulas na autoescola. Dirige bem, e está tecnicamente preparado para o exame de direção do Detran. Aí vem a ansiedade e te faz errar tudo e reprovar no teste.

A ansiedade afeta milhares de pessoas nas mais variadas situações e fases da vida. Para as que estão em processo de tirar a carteira de motorista ela pode ser a grande vilã, que faz com que precisem repetir o teste inúmeras vezes. Os sintomas podem incluir taquicardia, tremor nas mãos e pernas, o que dificulta o controle da direção e dos pedais. Além de um “branco” nos procedimentos a serem seguidos.

A preparação para controlar a ansiedade começa nas aulas de direção. Tenha consciência da sua desenvoltura em dirigir. Perceba suas dificuldades e encontre uma forma de amenizá-las, isso te deixará mais tranquilo. Feche os olhos e respire fundo antes de ligar o carro, deixe o ar entrar e sair lentamente dos pulmões, aproveite para sentir os batimentos cardíacos e perceber o seu controle sobre seu corpo.

Prepare-se para o momento do exame

Informe-se sobre como é o teste, as ruas em que acontecem, as técnicas cobradas e as maiores dificuldades que poderá encontrar. Tente dirigir nas ruas onde será avaliado, reconheça seus maiores obstáculos e treine até que eles não ofereçam mais risco para você.

Vá com antecedência ao Detran, veja como funciona o processo de chegada, movimento de pessoas, local para retirada de senha, quanto tempo leva para cadastro de documentação e para ser chamado. Preste atenção nas suas reações físicas, se começa a ficar ansioso e quais sintomas apresenta, relacione cada um deles para mais tarde encontrar formas de controlá-los.

Durante as aulas de baliza, faça uma experiência: sente-se no banco do motorista, feche os olhos e se imagine no momento do exame. Siga o passo a passo de ajuste de bancos, espelhos e o que mais for necessário. Respire fundo e sinta seu corpo acalmando e entrando num ritmo controlado. Execute a baliza como se estivesse no exame do Detran. Enquanto isso, perceba sua ansiedade e como consegue controlá-la.

Mantenha a calma para ter bons resultados

Fique atento aos pensamentos negativos que podem contribuir com o aumento da ansiedade, troque estes pensamentos por frases que te ajudem a manter o equilíbrio e a determinação. Por exemplo: “É muito difícil passar no exame, acho que não vou conseguir” troque essa frase por “Eu me dediquei durante as aulas, vou dar o meu melhor na avaliação”. Perceba que mesmo que seu pensamento não tenha o poder de transformar o resultado ele tem a chance de te ajudar a se manter tranquilo durante a prova.

Controlar a ansiedade depende de você. Dedique-se às aulas, dê o seu melhor todos os dias, isso vai ajudar a ter confiança no que sabe e a ter a capacidade de demonstrar no exame. Por fim, respire fundo e perceba como consegue controlar seu corpo, diminuindo os efeitos da ansiedade e do nervosismo.

Transtorno bipolar: A difícil tarefa de viver entre a euforia e a depressão

Oscilação entre euforia e depressão

Uma vida marcada por altos e baixos. Essa é a realidade de quem convive com o transtorno afetivo bipolar. Alterações de humor e grande dificuldade em se perceber e conseguir entender a própria instabilidade.

Uma vez uma paciente me descreveu o transtorno bipolar da seguinte maneira:

 

“É como uma borboleta, quando estou na fase eufórica me sinto bela, com asas coloridas, cheias de brilho e vida. Posso voar para longe, posso ir aonde quiser; sem limites, riscos ou preocupações. Mas quando estou na fase depressiva, sinto como se essa borboleta tivesse uma bola de ferro amarrada em seus pés. Essa bola me impede de me movimentar, de fazer, de viver. Tudo parece difícil e a vontade de tentar e reagir é muito baixa”.

Conhecer é o caminho para tratar e conviver

Deixe de lado posicionamentos como: “É só uma birra”, “isso é coisa de pessoa mimada, deixa ela para lá que logo passa”, “ele é de lua mesmo, logo tudo se ajeita”. Crenças como estas apenas vão prejudicar seu entendimento sobre o transtorno bipolar e seus portadores. Todos temos variações de humor, mas no transtorno bipolar a euforia e a depressão são mais extremadas e as alterações de humor mais bruscas.

Oscilação entre euforia e depressão

Vale lembrar que cada pessoa é diferente e, portanto, a duração dos episódios e os principais sintomas variam a cada uma.

Para o próprio bipolar é difícil se entender e conviver bem consigo mesmo e com seus pensamentos. Obviamente isso se reflete no convívio social e familiar. Os sintomas impactam no comportamento, ocasionando uma série de desentendimentos e conflitos. Isso é ainda mais evidente quando a família entende o quadro clínico como um apanhado de birras e crises de mimo. Para conviver melhor, a família pode buscar apoio dos terapeutas, entendendo como lidar com a mudança de humor e os sintomas.

 

Tratamento

O tratamento do transtorno bipolar consiste em acompanhamento psiquiátrico e psicológico. A Psiquiatria vai entrar com medicação para amenizar sintomas e estabilizar o quadro. Já a Psicologia vai ajudar a entender os desencadeadores de crise, formas de lidar com elas, trabalhar autopercepção e melhoria da qualidade de vida.

Tratamentos longos são comuns e, mesmo com o tratamento, as crises podem ocorrer, mas é possível que tenham menor intensidade. Interrupções no tratamento e tentativas de suicídio também podem acontecer e para resgatar é importante o apoio da família e da equipe de terapeutas.

O transtorno bipolar não é um quadro de simples diagnóstico e tratamento, envolve uma série de etapas e acompanhamentos. Para que o portador do transtorno mantenha o tratamento e consiga bons resultados, é importante uma equipe preparada e o apoio da família e dos amigos. Caso perceba que alguém próximo possa sofrer de transtorno bipolar, ajude-o encaminhando para um especialista.

Para ilustrar, sugiro dois filmes que tratam sobre o assunto: “O lado bom da vida” e “Sentimentos que curam”.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

Brincar é coisa séria

Crianças aprendem quando brincam

Brincar é mais do que uma forma de se divertir e passar o tempo. Quando uma criança brinca, elabora sentimentos, aprende a lidar e identificar as emoções, trabalha o relacionamento interpessoal e muito mais. O que é perceptível é que muitas famílias têm conseguido pouco tempo e algumas dificuldades para trabalhar a criatividade, para poder vivenciar a brincadeira de uma forma intensa. Acredite

, sempre será vantajoso dedicar seu tempo para brincar com os filhos.

Durante a brincadeira, a criança consegue internalizar conceitos de uma forma leve e divertida, elaborar questões emocionais, vivenciar a fantasia e abrir as portas para a imaginação e usar a criatividade. Neste momento, a aprendizagem acontece naturalmente, ao mesmo tempo que descobre o mundo ao seu redor e interage com os mais variados estímulos.

Os formatos e possibilidades do brincar são inúmeros, seja sozinho ou acompanhado, com ou sem brinquedo. Independente da forma, a brincadeira vai permitir que a criança trabalhe a frustração, internalize valores e forme vínculos. Cada criança tem seus interesses e vai buscar o que lhe agrada em cada momento ou situação. Tente não direcionar e não ficar corrigindo a brincadeira dela. Damos a ela a chance de descobrir algo novo, de arriscar e de assumir os próprios erros, quando deixamos a criança livre para testar e inventar.

Aproveite para entrar na brincadeira. Quando foi que tivemos a absurda ideia de que adulto não brinca? Você pode aproveitar a infância das crianças com quem convive para soltar a imaginação e reviver as alegrias que tinha nas suas brincadeiras. O lúdico relaxa, deixa a vida mais leve e te ajuda a ver as coisas por outros ângulos. Busque coisas que podem fazer juntos, lembre-se de que você é o adulto da relação e é você quem deve se adaptar à brincadeira e não o contrário. Respeitar o tempo e os limites de entendimento do outro é fundamental.

Criança deve ser criança e elas correm e fazem bagunça, sim. Isto é sinal de saúde e vitalidade. Quando se tem filhos em casa, tem massinha no chão, riscos na parede e muita cor e barulho. Relaxe e permita que suas crianças brinquem livremente, explorando e criando, ela ainda terá muito tempo para a vida de adulto, com todas as responsabilidades que o futuro vai exigir.

Que tal ousar e colocar a mão na massa em prol de uma vida mais lúdica? Comece hoje mesmo, sem cobranças e sem elevar as expectativas. Use sucata, brinquedos ou simplesmente a imaginação. Deite, role e deixe a alegria tomar conta do momento em família.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

Não se agrida para agradar os outros

Respeite seus limites

Muitas pessoas que procuram um acompanhamento psicológico têm em comum uma característica: fazem o que não querem para agradar os outros. Não aparenta ser nada grave se considerarmos esse evento de forma isolada e pouco frequente, mas para algumas pessoas essa é uma característica muito presente. Atrapalha o dia a dia? Sim e muito.

Imagine a situação: Você tem uma vida bastante agitada, compromissos em horários muito próximos e locais muito distantes, passa muitas horas por dia no trânsito, no final do dia percebe que correu o dia todo e não conseguiu terminar o que tinha para fazer. Agora some a isso tudo os favores e pedidos das outras pessoas, coisas sem importância em relação às tarefas que você tinha para fazer. Mas, como sua maior dificuldade é desagradar os outros, você faz um grande movimento para atender o pedido. Sente-se mal por não ter ouvido a voz interior que dizia, “mas não vai dar tempo de fazer o que eu queria”, “essa responsabilidade não é minha”, “eu nem queria vir nesta festa”.

Mais do que uma dificuldade em dizer não, o que impacta para essas pessoas é o sofrimento que elas têm em pensar que o outro pode ficar bravo, triste ou até mesmo romper a amizade. Os pensamentos negativos tomam conta da mente e naquele momento giram em torno da certeza de que não há nada mais a fazer além de aceitar o pedido do outro. A culpa quando não conseguem ou se negam a atender o pedido aumenta o sofrimento e pode se manter por dias.

Para quebrar esse ciclo você deve olhar para si, descobrir seus reais interesses e necessidades e se colocar em primeiro lugar. Não é, de forma alguma, um comportamento egoísta, mas sim um comportamento de autopercepção e prioridades. Quando você passa a fazer isso, se sente mais confortável e seguro das suas decisões e por consequência, sofre menos com as críticas das outras pessoas.

Evite se distanciar muito dos seus princípios, aceite ser maleável, mas tome cuidado para não se agredir atendendo às demandas de outras pessoas. Cuide de si mesmo antes de cuidar dos outros.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

Como lidar com pessoas difíceis no ambiente de trabalho

Você pode aprender a lidar com pessoas difíceis no ambiente de trabalho

 

Sempre digo que família nós amamos sem explicação, amigos nós escolhemos por afinidade e o colega de trabalho quem escolhe é o RH.

Algumas vezes, a incompatibilidade é notória e é preciso conviver com alguém que tem interesses e comportamentos muito diferentes dos seus. E, para garantir o bom clima e a qualidade na produtividade, o melhor é manter um bom relacionamento com a equipe. Tarefa nem sempre simples, não é mesmo?

Tem o chato, o inconveniente, o inflexível, o galanteador e muitos outros perfis dentro das empresas. No geral, no momento da entrevista, o RH avalia o perfil do funcionário com base nas necessidades de desempenho e competências técnicas. Existe a preocupação com a integração do funcionário, mas este não é o ponto decisivo. Nem todos serão grandes amigos, mas precisam trabalhar lado a lado para conquistar os melhores resultados.

A maior mudança é sempre a que vem de dentro, então aproveite o momento para refletir sobre você e as mudanças que precisa fazer. Exercite alguns comportamentos vão te ajudar a lidar com pessoas difíceis:

Ouça com sua atenção voltada ao discurso mais do que para sua resposta. Parece óbvio, mas este é um comportamento comum no ambiente profissional, principalmente quando a pessoa entende que precisa dar uma resposta imediata. Agir desta maneira dificulta a comunicação pois não te permite compreender todos os pontos da conversa.

Seja positivo. É muito difícil trabalhar ao lado da pessoa que percebe defeitos e dificuldades em tudo. Avaliar riscos é muito diferente de ser pessimista. Ao ser uma pessoa positiva e realista, você transmite confiança e segurança para o grupo, tendo mais possibilidades de encontrar alternativas interessantes para as situações.

Busque alternativas para resolver o problema mais do que ficar preso nas dificuldades. Pessoas que buscam soluções direcionam a atenção e a energia para o ponto de mudança e tendem a ter melhores resultados. Ajudar os colegas a buscarem soluções mais eficientes pode ser o ponto de fortalecimento do grupo. Tome cuidado para não ultrapassar barreiras no relacionamento. Oferecer ajuda é diferente de se intrometer nas decisões dos demais.

Exercite uma forma de lidar com as situações e com as pessoas difíceis de uma maneira equilibrada, agindo com coerência e de acordo com a necessidade e a intensidade da situação. Cada vez que você reage de uma forma agressiva, desrespeita a outra pessoa e o ambiente de trabalho. Ouvir, se disponibilizar para resolver a situação e ter empatia pelo outro são as melhores alternativas.

Jamais espere que a mudança comece pelo outro, quando você perceber que existe espaço para melhorias, vá e faça.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

As armas que ele usou para vencer a leucemia

 

Arquivo da família.

Cinco anos já se passaram, mas algumas lembranças parecem tão recentes, como se tivesse vivido aquilo tudo ainda ontem.

Tenho um sobrinho lindo e guerreiro que lutou e venceu a leucemia. Ele viveu esse turbilhão todo há cinco anos, quando tinha pouca consciência do que estava enfrentando. No momento do diagnóstico e no decorrer do tratamento, ele tinha pouco mais de quatro anos de idade. Pequeno para passar por tanta coisa, certo? Sim, mas grande o suficiente para vencer a sua maior batalha.

Ele enfrentou um tratamento intenso e doloroso com muita energia positiva e fé. Sempre ao lado da mãe que conseguia manter o sorriso verdadeiro no rosto em todos os momentos. Eles entraram para ganhar a batalha e não aceitariam nada diferente disso. E o que isso tem de tão especial?

Enfrentar as grandes adversidades com fé e pensamento positivo faz diferença. Quem lida melhor com a situação tem mais chance de conseguir o que deseja, inclusive nos casos de doenças graves.

Na prática é assim: quando o paciente acredita que existem chances reais de cura, ele enfrenta tudo com mais disposição, aceita as orientações médicas, exames, medicações e entende que aquele é um processo. Mantêm a energia para continuar lutando. O efeito da medicação no corpo é o mesmo, mas o emocional ajuda a alavancar os resultados do tratamento para cima.

Ter fé não significa ter religião ou se apegar a uma quando a saúde fragiliza. Significa acreditar que tudo pode mudar para melhor, mantendo a esperança e a força para lutar pelo que deseja e precisa, entendendo que algumas situações fogem ao nosso entendimento e explicação, e que coisas podem acontecer sem a nossa interferência mas, ainda assim, tudo vai correr da melhor forma.

O que ele fez, mesmo com a pouca idade, foi viver cada dia com alegria e vontade de viver. Era conhecido pela equipe médica como um menino alegre e cheio de energia. Tanta energia que era possível vê-lo brincando pelos corredores do hospital. Fazia amigos rapidamente e em pouco tempo encontrou pessoas tão dispostas quanto ele a saírem dali vitoriosas. E a família? Sempre ao lado lutando e apoiando cada decisão, incentivando cada sorriso e cada iniciativa de força e positividade. Uma batalha com dificuldades enfrentadas com amor e muita energia positiva, a vontade de vencer foi maior e a conquista não demorou em chegar.

Você pode ajudar – o transplante de medula é uma das alternativas para o tratamento da Leucemia. Você pode ser um doador de medula e salvar uma vida.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga – CRP: 08/09475

Desfralde sem mistérios

Cada conquista dos pequenos é uma grande festa e cada fase de desenvolvimento deve ser tratada com sua real importância, reconhecimento e acima de tudo muito amor. Isso vai garantir que ele vivencie e aprenda de uma forma leve e sem traumas.

Para garantir que seu filho tenha um desenvolvimento tranquilo respeite o tempo dele, sem comparações ou cobranças e com muito respeito à sua individualidade. Perceba que os “manuais” de desenvolvimento infantil trazem sempre uma faixa de tempo e idade esperada para cada ciclo de desenvolvimento, essa faixa considera principalmente o desenvolvimento neurológico do bebê. Quando forçamos ele a realizar uma tarefa antecipadamente estamos desrespeitando a sua maturidade neurológica, e aí sim podem acontecer os traumas.

Quando falamos de DESFRALDE a idade mínima indicada é de dois anos. Ou seja, é comum apresentar sinais de desfralde a partir dos dois anos, podendo ser dos dois aos três ou quatro anos. Vai depender do desenvolvimento dele, da capacidade de perceber seu corpo e de controlar seu esfíncter. Portanto, se seu filho já completou 2 anos e ainda não apresenta os sinais de desfralde, não se preocupe, basta observar e respeitar o tempo dele que logo ele chegará lá. Caso ele apresente antes dos dois anos será muito bom, mas desde que isso venha espontaneamente dele.

Para ajudar as mamães a passarem por este momento com mais segurança, separei as perguntas mais frequentes e que podem ter mais impacto no desfralde:

Quando devo iniciar o desfralde?

A partir do momento que ele mostrar sinais de que já está preparado. Considere três passos aqui: No primeiro ele te avisa que ele já fez o xixi – demonstrando que já consegue associar a fralda cheia com o xixi. Na segunda fase ele sinaliza que está fazendo, ainda não teria tempo hábil para levar ele até o banheiro, mas já é possível para ele reconhecer o momento em que está fazendo xixi. No terceiro passo ele te avisa que quer fazer, ou seja, ele sentiu que a bexiga está cheia e que ele ainda tem tempo para segurar um pouco antes de ir ao banheiro. Seja ágil ao levar ele ao banheiro, o tempo de espera deles é pequeno no início do desfralde. O ideal é iniciar o desfralde na fase três ou na dois já bem amadurecida.

Outro sinal que ele dá, de maturidade neurológica, é conseguir pular com os dois pés de uma única vez. A relação está no controle e contração do esfíncter. E pode ser uma boa medida de observação para que você possa sentir segurança no momento de iniciar o desfralde.

Ele não quer sentar no penico ou no vaso, chora muito, o que faço?

Não force. Tudo que é novo realmente incomoda. Para que ele encare o penico ou redutor de vaso com mais tranquilidade deixe a mostra mesmo antes de iniciar o desfralde. Leve ele junto para escolher o que ele gosta mais, deixe ele sentar para avaliar se ele fica confortável. Antes do desfralde será um objeto presente e nada ameaçador, ele pode “brincar” de sentar mesmo com fralda. Escolher o melhor lugar do banheiro para deixar o vaso. Vai se familiarizar com o objeto de forma lenta e gradativa. Se ainda assim ele permanecer muito resistente avalie a troca do penico por redutor, ou vice-versa. Existem vários modelos disponíveis, deixe ele direcionar para qual ele se adapta mais. Usar de linguagem lúdica e momentos descontraídos para levar ele ao banheiro também vai ajudar muito.

 

Já estou alguns dias insistindo e vejo pouca evolução, o que posso fazer?

Fique calma que o processo vai acontecer no tempo dele. Se você prestou atenção aos sinais e já percebeu que ele está pronto para o desfralde, pode ter certeza que quando menos perceber ele já estará usando o penico em todas as vezes. Não existe muito ou pouco tempo, tudo dependerá do tempo de resposta dele. Mas tenha certeza que sua presença e afeto podem ajudar nesta fase. Portanto quando a coisa não sair como espera mantenha a calma e o equilíbrio, ele precisa sentir que você o apoia incondicionalmente.

Tentei fazer o desfralde mas não tive sucesso, como posso fazer para recuar e tentar em outro momento?

Algumas vezes erramos mesmo, isso é normal na maternidade então não se culpe e siga em frente. Recue apenas se for por falta de maturidade dele, e não de falta de paciência sua, perceba que são coisas muito diferentes. Caso tenha que voltar atrás fale com ele e explique o motivo, tenha certeza de que ele entendeu e concorda com sua decisão. No momento em que for retomar o processo explique para ele como agora será mais fácil, pois ele já consegue perceber coisas que ele não conseguia antes, e que você estará sempre ao lado dele para tudo, que vão passar por isso juntos e com muito amor e carinho.

Existe mesmo uma melhor fase (período do ano) para o desfralde?

Para quem vive em região de clima frio sim. No inverno a sensação de bexiga cheia e vontade de fazer xixi mudam e isso pode atrapalhar a percepção dele sobre o controle do próprio corpo. O trabalho tende a ficar mais demorado e pode acontecer um número maior de escapes. Isso sem contar no número de calças e meia calças que eles usam no inverno. Você precisará de um número bem maior de peças de roupas para fazer o desfralde do que se fizer no verão.

O que posso fazer para incentivar ele durante o processo?

Toda criança gosta de sentir que é aceita e amada pelos pais, que está fazendo tudo certo e de ser reconhecida por isso. Nesta fase não é diferente, então o estimulo e o reforço positivo vão ajudar muito. Comemore cada acerto e dê menos atenção para os momentos de erro, sempre incentive ele a continuar tentando. Incentivos concretos como ganhar adesivo quando fizer no penico ajuda muito. Você pode colar uma folha de papel sulfite no banheiro (para que ele não cole os adesivos diretamente no azulejo) e cada vez que ele acertar ele ganha um adesivo para colar na folha. Comemore com ele e mostre como ele tem se dedicado e conseguido acertar, conte o número de adesivos no dia, ele ficará feliz em ver o resultado do seu esforço. Alguns livros podem ajudar – busque por títulos como (Até as princesas fazem cocô – Sara Creese e Gabrielle Mercer / O que tem dentro da sua fralda – Guido Van Genechten / Cocô no trono – Charlat,Benoît) leia com ele e mostre como pode ser legal usar o penico.

Como reagir quando ele faz no chão?

Broncas não são bem-vindas nesse processo. Elas fazem com que ele sinta que não é capaz de corresponder ao que vocês esperam, reforçam o erro e deixam ele com a sensação de derrota. Quando ele tiver uma situação de escape trate com naturalidade e comente que isso pode mesmo acontecer, que na próxima vez que tiver vontade ele pode te avisar antes de fazer. Limpe, troque as roupas e não fale mais nisso, broncas sem fim são ainda mais difíceis de conseguir aceitar.

Como tratar isso com o restante da família?

Caso resolva fazer o desfralde na praia acompanhados de toda a família, tenha certeza de que os demais adultos vão conseguir respeitar seu método sem interferir na orientação dele. Se isso não for possível encontre um outro momento para iniciar o desfralde, e garanta que vocês possam ter privacidade o suficiente para que ele vivencie isso com muito amor por parte de todos que vão acompanhar ele nessa fase de mudança.

Algumas dicas que podem te ajudar:

  • Compre várias peças de roupa (calcinhas e cuequinhas) você não tem como saber o número de peças que ele vai usar durante um dia e é importante que você tenha como acompanhar o desfralde sem ter que se preocupar em lavar e secar várias peças durante o dia.
  • Tente conciliar o período de desfralde com as férias, assim você poderá se dedicar a isso sem ter que interromper o aprendizado dele para sair e se movimentar pela cidade ou em eventos. O número intenso de interrupções pode deixar ele confuso e ter mais dificuldade de entender a dinâmica de todo o processo.
  • Antecipe a vontade: leve ele ao banheiro antes dele pedir, pergunte se ele está com vontade, você pode fazer isso de uma forma leve e sem cobranças, pode dizer que vai ao banheiro para fazer outra coisa, convide ele para ir junto e quando estiverem lá pergunte se ele não quer aproveitar e fazer xixi.

Mesmo sendo uma fase de grande mudança ele vai conseguir passar por ela sem traumas, desde que todos os envolvidos respeitem seu tempo e aceitem as falhas que podem acontecer. Cada criança é única e vai vivenciar esta fase à sua maneira. Muito amor, carinho e doses extras de paciência para que vocês consigam aproveitar a alegria e as conquistas deste momento de tanta superação.

Simone Steilein Nosima – Psicóloga e Coach – CRP: 08/09475

O que é o Método Montessori?

Sempre que me perguntam, eu penso bem antes de responder. O método tem tantos detalhes, que fica difícil escolher os melhores pontos para ressaltar em apenas uma resposta. Para mim, que vivo isso diariamente, é tudo. É como se fosse um botão que a gente liga e nunca mais desliga, porque não faz mais sentido fazer as coisas de outra forma.

Refleti bem e acredito que, se for pra apresentar Montessori para alguém pela primeira vez, eu ressaltaria dois pontos.

O primeiro é o respeito pela criança. Maria Montessori, a criadora do método que leva seu nome, era médica. Ela baseou seu método através da observação científica das crianças. Ela tratou de conhecer como elas nascem, se desenvolvem, como aprendem e do que precisam. Conhecendo bem os pequenos fica mais fácil de respeitá-los.

Sabe-se que todos temos necessidades básicas como: alimentação, higiene pessoal, sono. Sendo assim, é uma forma de respeitar as necessidades das crianças darmos alimentos a elas, darmos banhos e criarmos rotinas de sono. A rotina é importante em todos os aspectos, porque traz segurança aos pequenos. Respeitá-los é criar e manter uma rotina. É avisá-los sobre como vai ser o dia para que eles não fiquem na ansiedade de nunca saber o que vai acontecer a seguir. E isso vale mesmo com os bebês. Essas criaturinhas maravilhosas começam a compreender o que falamos, muito antes de aprenderem a falar.

E aí a lista pode seguir com inúmeros itens e momentos nos quais podemos e devemos respeitar as crianças. Incluí-las nos planos de viagens, nos cuidados com a casa e consigo mesma, pedir por favor, dizer obrigada, dar autonomia condizente à faixa etária, organizar o quarto com móveis de acordo com o tamanho da criança, permitir que ela explore o mundo de maneira segura, respeitar o seu tempo de aprendizado…

Com as crianças maiores, o respeito aparece quando levamos suas vontades em consideração. Podemos perguntar por que não querem fazer determinada coisa ou ir em determinado lugar. Podemos dar duas ou três opções de solução e deixar que escolham. Tomar decisões é uma parte muito importante da vida. Saber verbalizar suas vontades e pontos de vista também.

Uma criança acolhida, vista e ouvida, sabe que é amada e por consequência é segura para se desenvolver da melhor maneira possível.

O segundo ponto é o adulto como modelo. Pode parecer tão óbvio, mas na correria do dia a dia podemos esquecer que nossas atitudes falam mais que palavras. Se queremos que nossos filhos digam “por favor”, devemos fazê-lo, sempre e em todas as frases. O mesmo vale para “obrigado” e “com licença”. As crianças aprendem mais pelo nosso exemplo do que pelas nossas palavras. Mais ainda se as crianças em questão ainda não apreenderam a sua língua materna.

Cito aqui a abertura de um livro que adoro, que ilustra bem a força do nosso exemplo:

“Se as crianças vivem ouvindo críticas, aprendem a condenar.

Se convivem com a hostilidade, aprendem a brigar.

Se as crianças vivem com medo, aprendem a ser medrosas.

Se as crianças convivem com a pena, aprendem a ter pena de si mesmas.

Se vivem sendo ridicularizadas, aprendem a ser tímidas.

Se convivem com a inveja, aprendem a invejar.

Se vivem com vergonha, aprendem a sentir culpa.

Se vivem sendo incentivadas, aprendem a ter confiança em si mesmas.

Se as crianças vivenciam a tolerância, aprendem a ser pacientes.

Se vivenciam os elogios, aprendem a apreciar.

Se vivenciam a aceitação, aprendem a amar.

Se vivenciam a aprovação, aprendem a gostar de si mesmas.

Se vivenciam o reconhecimento, aprendem que é bom ter um objetivo.

Se as crianças vivem partilhando, aprendem o que é generosidade.

Se convivem com a sinceridade, aprendem a veracidade.

Se convivem com a equidade, aprendem o que é justiça.

Se convivem com a bondade e a consideração, aprendem o que é respeito.

Se as crianças vivem com segurança, aprendem a ter confiança em si mesmas e naqueles que as cercam.

Se as crianças convivem com a afabilidade e a amizade, aprendem que o mundo é um bom lugar para se viver.”

“As crianças aprendem o que vivenciam – Dorothy Law Note”

Acredito que a maneira de ver as crianças, um dos inúmeros pontos de Montessori, é o que me faz nunca mais querer vê-las de outra forma. Respeitando-as e dando exemplo, criamos adultos que serão felizes, realizados e cidadãos pacíficos. Serão pais e mães que brincarão com seus filhos, que demonstrarão amor e que participarão da criação de um bom mundo para se viver.

Esses dois pontos são possíveis de adotar em casa, em família e na vida. Mas, como disse, Montessori é muito mais que isso. Dentro da escola, por exemplo, temos os materiais adaptados, os professores preparados, o ambiente preparado…

Respeitar a criança não é exclusividade de Maria Montessori, claro. Nem os cuidados com o exemplo dos adultos. Mas vai dizer que a maneira como ela as vê não faz sentido?

Autora: Taís Lima, empreendedora e educadora Montessori com foco em 0 a 3 anos.